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Na tarde desta quinta-feira (2), o presidente Lula rebateu um documento do governo dos Estados Unidos que novamente cita o Pix como promotor de concorrência desleal com empresas de cartões. O chefe do Planalto defendeu o método de pagamentos do Brasil e disse que ninguém vai mexer na plataforma.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o Pix, disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix acho que cria problema para a moeda deles", iniciou o presidente. "O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", completou.
A fala de Lula aconteceu durante um evento em Salvador, quando visitou as obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em construção na capital baiana. Lula também destacou que o Pix deve ser aprimorado, mas descartou mexer no modelo atual de funcionamento, mesmo com pressão da maior economia do mundo.
O relatório recente dos EUA levanta preocupações sobre o Pix porque este é um método de pagamento organizado pelo Banco Central. Diante disso, detalha que pode haver prejuízo para empresas privadas estrangeiras que operam sistemas de pagamentos, como Visa e Mastercard, duas das maiores emissoras de cartões do mundo.
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"O Banco Central criou e regula o Pix; stakeholders dos EUA têmemem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas", diz o documento.
No ano passado, o governo norte-americano já tinha feito comentários parecidos com esse. Na época, destacou que o Pix representava um risco às empresas do país.
"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio.
O relatório publicado pelos EUA é composto por 534 páginas, sendo que oito delas são exclusivamente sobre o Brasil. Além do Pix, o conteúdo cita preocupações também sobre outras questões, como a Rua 25 de Março, em SP, conhecida como um centro de compras popular.
Neste caso, pontua que este é um dos pontos de pirataria da América do Sul devido à venda de produtos falsificados. Ainda chama a atenção para “a ausência de penalidades com nível dissuasório e altos níveis de falsificação on-line e em mercados físicos”.
As páginas também passam pelo protecionismo brasileiro, dizendo que o país mantém altas taxas de impostos sobre produtos comprados do exterior.
É importante destacar, porém, que, no ano passado, os EUA chegaram a impor tarifas de até 45% sobre alguns dos itens exportados pelo Brasil para a nação norte-americana, assim como a imposição de tarifas mínimas para quase todos os países do mundo.
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