Lula está estável, mas deve permanecer na UTI por 48 horas, diz equipe médica

Chefe do Executivo passou por procedimento médico durante a manhã

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Publicado em 10/12/2024 às 12:27h - Atualizado 3 meses atrás Publicado em 10/12/2024 às 12:27h Atualizado 3 meses atrás por Wesley Santana
Lula foi eleito presidente em 2022 (Imagem: Shutterstock)

O presidente Lula passou por uma cirurgia na cabeça de emergência na manhã desta terça-feira (10). Apos o procedimento, a equipe médica falou com a imprensa, destacando que ele conversa, se alimenta e não deve ficar com sequelas.

🩺 A cirurgia foi necessária depois que Lula sentiu fortes dores na cabeça e foi levado às pressas ao hospital. Os médicos constataram um hematoma que precisou ser drenado.

"O presidente evoluiu bem, já chegou da cirurgia praticamente acordado, foi extubado e encontra-se agora estável, conversando normalmente, se alimentando e deverá ficar em observação nos próximos dias", disse o médico cardiologista Roberto Kalil.

O especialista também afirmou que ele deve retornar à Brasília já na próxima semana, mas, por enquanto, está proibido de receber visitas de trabalho.

O sangramento foi identificado depois de uma ressonância magnética realizada no final da segunda-feira. O chefe do Executivo passou o dia com dor de cabeça, mas, de acordo com fontes próximas, pensava que era o começo de uma gripe.

A equipe médica, portanto, decidiu transferi-lo de Brasília para São Paulo para que a operação fosse realizada no Hospital Sirio-Libanês. O procedimento -chamado de trepanadação- levou cerca de duas horas e foi realizado pelo médico Rogério Tuma, especialista em neurologia.

"Nem alteração de movimento [teve]. Absolutamente nada. Tanto é que ele está estável, conversando normalmente, se alimentando", disse Kalil.

🚨 Leia mais: ‘Operação de guerra’: Lula é transferido para SP e passa por cirurgia de emergência

O hematoma foi uma consequência de uma queda sofrida por Lula em 19 de outubro no Palácio do Planalto. Ele caiu dentro do banheiro da residência oficial, teve uma perfuração na nuca e uma contusão cerebral.

"Isso pode acontecer meses depois. Ele já tinha absorvido o primeiro sangramento e aí acabou tendo um segundo, mas é tudo, provavelmente, consequente à queda”, disse Tuma. "As pessoas caem, batem a cabeça, esquecem desse evento e, depois de algumas semanas ou até meses, mudam o comportamento, ficam fracas de um lado. E o que está acontecendo é que o sangramento está comprimindo o cérebro", explicou.

Lula ainda deve ficar mais 48 horas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para acompanhamento de seu estado de saúde. Além de Roberto Kalil e Rogério Tuma, ele está acompanhado pela infectologista Ana Helena Germoglio e da primeira-dama Janja da Silva.

O vice-presidente Geraldo Alckmin deve assumir a agenda da presidência até que Lula retorne ao trabalho. Ele estava no interior de São Paulo, mas retorna à Brasília nesta terça para um encontro com o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico.

Série de problemas

📄 Aos 79 anos, Lula enfrentou diversos problemas de saúde desde que retornou ao Planalto, em 2023. Poucos dias depois de assumir seu terceiro mandato, ele foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana e influenza A.

Em setembro do mesmo ano, ele precisou passar por uma cirurgia no quadril, depois de ter constatado uma artrose na perna direita. Na mesma internação, fez uma plástica para retirada de pele da região das pálpebras, condição que afetava a sua visão.

É importante destacar que, em 2011, o político enfrentou um câncer de laringe, tratado com quimioterapia e radioterapia. O então ex-presidente foi considerado curado da doença no ano seguinte.

Notícia internacional

A imprensa internacional repercutiu a saúde de Lula, que é um dos principais líderes políticos da América do Sul. O jornal estadunidense The New York Times destacou que o procedimento transcorreu sem complicações.

O argentino La Nación deu detalhes da entrevista coletiva dos médicos e publicou as falas de autoridades em solidariedade a ele. O francês Le Monde lembrou que a cirurgia está relacionada à queda sofrida pelo brasileiro há dois meses.