Quem abriu a plataforma do
Tesouro Direto nesta sexta-feira (23) se deparou com taxas dos títulos públicos de longo prazo em queda livre. Em compensação, houve o registro de relevantes lucros na marcação a mercado aos investidores que emprestaram dinheiro ao governo brasileiro sob condições de
juros compostos maiores que os atuais.
Para exemplificar, o
Tesouro Renda+ 2065, o queridinho da galera para surfar o ciclo de cortes da taxa Selic nos próximos anos, viu a sua remuneração descambar de
IPCA+ 7,09% ao ano na véspera para pagar os atuais
IPCA+ 6,99% ao ano, o menor juro real oferecido desde o início de 2026.
Já o preço unitário desse título de longuíssimo prazo disparou de R$ 177,05 para R$ 185,02 nas últimas 24 horas, resultando na valorização de +4,50% na marcação a mercado.
O investimento foi configurado para acumular uma aposentadoria extra ao poupador, com pagamentos mensais corrigidos acima da inflação pelo prazo de 20 anos a partir de 2065. E quanto mais distante é o prazo de vencimento no Tesouro Direto, maiores são as oscilações de lucro (e prejuízo) na marcação a mercado.
Para o analista Rafael Passos, da gestora Ajax Asset, a forte queda das taxas de
renda fixa brasileira coincide com a divulgação da Receita Federal na véspera, dando conta de que a
arrecadação de impostos no país em dezembro passado foi recorde, engordando o caixa do governo federal em 2025.
"Os números foram fortes para o mês e foram comemorados pelo Ministério da Fazenda. Evidentemente, trata-se de um número que reflete a
elevação de impostos na sociedade, além do crescimento do PIB com grande participação do governo Lula", destaca o especialista, que também cita pesquisa eleitoral Apex, apontando
Flávio Bolsonaro vencendo Lula na disputa do 2º turno.