Ibovespa (IBOV) perde força antes de feriado com Trump e Irã; dólar vai a R$ 5,16

Petróleo impulsiona ações do setor com tensão ainda em vigor no Oriente Médio.

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Publicado em 02/04/2026 às 11:47h Publicado em 02/04/2026 às 11:47h por Wesley Santana
Presidente dos EUA disse que guerra deve acabar em duas ou três semanas (Imagem: Shutterstock)
Presidente dos EUA disse que guerra deve acabar em duas ou três semanas (Imagem: Shutterstock)

Depois de dias seguidos de alta, o Ibovespa (IBOV) voltou a cair na manhã desta quinta-feira (2). Antes do feriado da Sexta-Feira da Paixão, o principal indicador da B3 opera com baixa de 0,9%, aos 186,2 mil pontos.

Várias ações do índice puxam o resultado para o campo vermelho, mas a performance de Vamos (VAMO3) é o que mais atrapalha. A locadora de caminhões vê seu ticker perder 4,7% em valor de mercado, com cada ação sendo negociada a R$ 2.

Os papéis da Cyrela (CYRE3) e da Meliuz (CASH3) seguem pelo mesmo caminho, com queda de 4,6% e 4%, respectivamente. Entre as blue chips da bolsa, o pior desempenho é visto no Bradesco (BBDC4), que recua mais de 2% no dia, para abaixo de R$ 20 por ação.

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Na ponta positiva, o destaque vai para as ações de petrolíferas, que avançam fortemente ao longo do pregão. O melhor resultado vem da Prio (PRIO3), que cresce 5,3%, cotada em R$ 67,55.

Os papéis da Petrobras (PETR4) também operam em alta de 3,8%, alcançando R$ 54, no caso das ações preferenciais, garantindo o segundo melhor resultado do dia. O pódio fica completo com Brava Energia (BRAV3), que acelera mais de 3% e as ações chegam aos R$ 20,40.

O movimento deste pré-feriado está ligado ao discurso do presidente Donald Trump, que azedou a expectativa de um fim imediato da guerra no Irã. Na noite desta quarta (1º), ele disse que os Estados Unidos já atingiram alguns dos seus objetivos, mas que o conflito deve durar pelo menos mais duas semanas.

Além disso, o chefe da Casa Branca também deu de ombros ao Estreito de Ormuz, destacando que este é um problema de quem usa a rota marítima. "Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse o presidente americano.

Câmbio vai no misto

Por isso, não foram apenas os ativos emergentes que sentiram impactos já antes da abertura oficial do mercado ao redor do mundo. Nos EUA, quase todos os índices de ações também operam no campo negativo.

O índice Nasdaq, que reúne as maiores empresas de tecnologia do mundo, por exemplo, cai cerca de 1% no dia. O mesmo acontece com a NYSE e o S&P 500, que caem, em média, 0,7% na comparação com o fechamento do dia anterior.

Já o dólar opera de modo mais favorável aos EUA, subindo 0,2% na conversão para o real, cotado em R$ 5,164. O euro, por sua vez, perde 0,3% com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

"Tenho uma sugestão. Primeiro, comprem petróleo dos Estados Unidos. Nós temos bastante. Temos muito. E segundo, criem um pouco de coragem, ainda que tardia. [...] Vão até o estreito e simplesmente tomem conta dele, protejam-no e usem-no para vocês mesmos", frisou Trump, em recado direto aos países que usam Ormuz para importar petróleo.