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Se você vai viajar para o interior do Brasil pode ter certeza: há pelo menos uma agência dos Correios ou da Caixa Econômica Federal por lá. No entanto, essa realidade pode mudar nos próximos anos, conforme defende membros do Executivo.
No contexto dos recorrentes déficits que os Correios vêm apresentando, a proposta de reduzir a cobertura das agências da empresa postal está na mesa. Para que isso entre em vigor, é preciso que o Congresso Nacional autorize a medida que mexe com a regra de universalização dos serviços postais.
Uma estimativa da própria estatal mostra que atender todos os municípios do país custa até R$ 6 bilhões por ano. Um terço deste montante é pago por meio de benefícios fiscais, mas há cerca de R$ 4 bilhões que são absorvidos pela companhia e que têm contribuído para o déficit apresentado nos últimos anos.
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“A lei postal é da década de 70, não dava para acreditar que esse modelo parasse de pé”, disse uma das fontes envolvidas nas tratativas ao Valor. “Não há dúvidas de que alguém tem que financiar, porque senão a gente não vai conseguir que a empresa se sustente”, continuou.
A empresa até tentou encontrar maneiras de ampliar as receitas, como com o lançamento de um marketplace, mas nada ainda surgiu efeito. No ano passado, conseguiu obter um empréstimo com os maiores bancos do país, mas a análise interna é que são necessárias novas medidas para colocar as contas em dia.
Os Correios entraram na mira da privatização durante o governo de Jair Bolsonaro, quando pararam de receber investimentos. Com a mudança de governo, Lula retirou a empresa do PND (Plano Nacional de Desestatização).
Em 2024, o prejuízo foi de R$ 2,6 bilhões, acelerado pela chamada taxa das blusinhas, que diminuiu a circulação de itens entre a China e o Brasil. No ano passado, o valor aumentou, chegando a R$ 6 bilhões apenas nos três primeiros trimestres do ano.
“Não vai ter bala de prata que vai resolver em um curtíssimo prazo”, disse outra fonte à reportagem. “Isso vai ser um trabalho de longo prazo, como foi em vários lugares do mundo [com empresas similares]”.
A estatal também abriu uma espécie de leilão para vender parte de seus ativos ao redor do Brasil. A companhia estima arrecadar R$ 1,5 bilhão com a venda de 60 imóveis em diferentes cidades nos próximos meses.
Entre as opções disponíveis, a mais barata custa cerca de R$ 16 mil e está localizada em Barcelona, no interior do Rio Grande do Norte. A mais cara está em Fortaleza, no Ceará, avaliada em mais de R$ 11 milhões.
Os imóveis são galpões logísticos, prédios administrativos e até antigos complexos operacionais da empresa pública. Pessoas físicas e jurídicas podem participar dos editais que são publicados na internet.
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Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, elabora estudo que aponta quais ações brasileiras mais se deram bem nos últimos 3 anos.