Debêntures da Braskem despencam até 60% com risco de recuperação judicial

Investidores de renda fixa sentem impacto da crise da empresa.

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Publicado em 01/04/2026 às 12:12h Publicado em 01/04/2026 às 12:12h por Wesley Santana
Braskem é uma das maiores petroquímicas da América Latina (Imagem: Shutterstock)
Braskem é uma das maiores petroquímicas da América Latina (Imagem: Shutterstock)

Os investidores de renda fixa podem sentir na pele as consequências de um eventual pedido de recuperação judicial da Braskem (BRKM5). Os títulos emitidos pela companhia já sentem o peso dos problemas de liquidez da petroquímica e apresentam uma desvalorização forte.

Segundo reportagem do InvestNews, há casos em que o desconto chega a 63% no mercado secundário. Isto é, na negociação entre os próprios investidores, que é intermediada pelas corretoras de investimentos.

Isso é visto tanto em debêntures quanto em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), ambos com descontos em relação à rentabilidade fixada originalmente.

De acordo com dados da Anbima, revisados nesta quarta (1º), um título emitido em 2022, que previa remuneração de IPCA+5,5% ao ano, hoje vale menos de 63% do valor original. Na época, cada unidade era comprada a R$ 1.248, mas hoje é negociada por apenas R$ 470.

Leia mais: Braskem (BRKM5) avalia proteção judicial contra dívidas de R$ 51 bilhões

Outras companhias da B3 seguem pelo mesmo caminho, amargando desvalorizações em seus títulos de renda fixa, como é o caso da Ambipar e Raízen. No entanto, a situação da Braskem parece piorar nos últimos dias, sobretudo depois que a companhia publicou o balanço do 4T25 e disse que há “uma incerteza material que pode gerar dúvidas significativas sobre a capacidade da empresa de continuar operando”.

Nesta quarta, a Bloomberg publicou uma reportagem dizendo que a empresa pode entrar com pedido de proteção contra credores. A matéria destaca que a companhia tem dívidas de R$ 51 bilhões, sendo que uma de suas subsidiárias já deixou de pagar títulos emitidos no México.

A notícia do eventual pedido de proteção agradou os investidores, que saíram a comprar ações da petroquímica logo no início do pregão. Por isso, a cotação dos papéis subiu cerca de 6% na B3, quase encostando em R$ 10.

No fechamento deste texto, porém, parte desse entusiasmo do mercado havia se acalmado, com as ações operando com avanço de 3,5%. Cada unidade era comprada ou vendida a R$ 9,75, de acordo com dados da B3.