CVM bate o martelo e retira duas empresas da bolsa com dívidas bilionárias

Falta de prestação de informações motivou decisão que proíbe negociação das ações no mercado.

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Publicado em 09/01/2026 às 12:02h - Atualizado 15 horas atrás Publicado em 09/01/2026 às 12:02h Atualizado 15 horas atrás por Wesley Santana
MMartan é uma das marcas subsidiárias da Spring Global (Imagem: Divulgação)
MMartan é uma das marcas subsidiárias da Spring Global (Imagem: Divulgação)

Nesta sexta-feira (9), a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) informou ao mercado que decidiu cancelar o registro de companhias abertas de duas empresas que estavam listadas na bolsa de valores. Segundo a autarquia, a decisão ocorre na esteira de um processo que se arrastou por diversos meses.

As duas empresas em questão são: Springs Global (SGPS3) e Coteminas, ambas parte do mesmo grupo empresarial, focado no segmento têxtil. As empresas estão passando por recuperação judicial e acumulam dívidas que passam de R$ 2 bilhões.

“A Superintendência de Relações com Empresas (SEP) da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informa que foram cancelados os registros em virtude da falta de prestação de informações à Autarquia”, diz nota da CVM.

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Os registros das duas empresas já haviam sido suspensos em agosto do ano passado, depois que as marcas não atenderam aos pedidos da entidade. Desta vez, elas passam a ser proibidas de negociar suas ações no balcão da bolsa de valores.

Em abril do ano passado, a B3 também suspendeu a Springs Global do Novo Mercado por descumprimento de normas. Essa é a categoria mais importante da bolsa brasileira, onde estão as companhias que têm suas ações listadas.

“Com a suspensão do Novo Mercado, a companhia continua listada na B3, mas não pode utilizar o selo ou qualquer outro elemento identificativo do Novo Mercado. Além disso, durante a suspensão, a Springs Global ainda deverá observar todas as regras do segmento especial”, comentou a B3 na ocasião.

Luta para se manter de pé

Controladas pelo empresário Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), desde 2024, as empresas passam pela RJ. O último balanço trimestral divulgado pela companhia foi em março de 2025, referente ao primeiro trimestre de 2024, quando a marca viu um prejuízo de R$ 168 milhões.

Os números nada animadores fazem com que a companhia lute para colocar a casa em ordem, ao mesmo tempo em que continua em atividade no país. No final daquele trimestre, a dívida era de R$ 1 bilhão, mas o valor só foi aumentando com o passar do tempo e os recorrentes resultados negativos trimestrais.

“A companhia vem avançando nas negociações com seus credores e providenciando os documentos relacionados ao seu processo de recuperação judicial, no intuito de possível realização da assembleia geral de credores em 2025”, afirma.