CVM aponta ex-CEO como mentor da fraude bilionária da Americanas

Documento conclui que esquema foi arquitetado por Miguel Gutierrez.

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Publicado em 21/01/2026 às 16:51h - Atualizado 7 horas atrás Publicado em 21/01/2026 às 16:51h Atualizado 7 horas atrás por Wesley Santana
Americanas é uma das principais empresas de varejo do país (Imagem: Shutterstock)
Americanas é uma das principais empresas de varejo do país (Imagem: Shutterstock)

A fraude contábil da Americanas (AMER3) completa três anos neste mês de janeiro. Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o esquema foi arquitetado pelo ex-CEO da companhia, Miguel Gutierrez, conforme documento que conclui o processo na entidade.

O órgão que fiscaliza o mercado de capitais apontou que, dos 40 investigados, ao menos 31 de fato estavam envolvidos na fraude, que foi considerada a maior da bolsa de valores. Esse grupo teria atuado sem o consentimento do Conselho de Administração da companhia, conforme informação publicada pelo jornal O Globo. 

Gutierrez teria atuado diretamente na negociação de valores mobiliários com base em informações falsas, diz a entidade que fiscaliza o mercado de capitais no país. Além dele, diretores como Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate são citados como integrantes do núcleo principal da fraude.

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Embora destaque que os diretores tiveram papel fundamental na fraude, a CVM não exime a Americanas, enquanto empresa, do problema. O documento diz que há necessidade de punir a empresa como prova de que casos como esses têmconsequências.

“Os representantes legais da companhia eram os seus Diretores Estatutários e a fraude foi cometida por vários deles, no exercício de suas funções estatutárias. Dessa forma, não cabe à companhia buscar eximir-se de suas responsabilidades”, diz o documento emitido pelo órgão. 

O caso da Americanas foi descoberto em janeiro de 2023, quando parte da diretoria da companhia encontrou inconsistências no balanço trimestral da empresa de varejo. Na época, em um primeiro momento, o rombo inicial foi estimado em R$ 25 bilhões, mas logo depois foi descoberto que a situação era ainda pior.

O escândalo ficou conhecido como um dos maiores da história do mercado de capitais, dada a dimensão do rombo, a quantidade de envolvidos e a reação do mercado. No primeiro pregão depois da descoberta, as ações tiveram uma queda surpreendente, liderando entre as maiores perdas diárias já registradas na B3.