Crise do Banco Master só ganhou dimensão após troca no comando do BC, diz Haddad

Ministro diz que risco não era de um “banquinho”, mas de escala relevante; FGC já pagou 80%.

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Publicado em 03/02/2026 às 11:02h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 03/02/2026 às 11:02h Atualizado 2 minutos atrás por Wesley Santana
Haddad deve deixar ministério nos próximos meses para ajudar na campanha eleitoral de 2026 (Imagem: Valter Capanato/Agencia Brasil)
Haddad deve deixar ministério nos próximos meses para ajudar na campanha eleitoral de 2026 (Imagem: Valter Capanato/Agencia Brasil)

Nesta terça-feira (3), o ministro da Fazenda voltou a falar sobre o caso da liquidação extrajudicial do Banco Master. Fernando Haddad destacou que, antes de Gabriel Galípolo chegar à presidência do Banco Central, ele nunca havia sido informado sobre os problemas que permeiam a instituição financeira, no que classificou como situação “opaca”.

“Quando as coisas começaram a vir à tona, a gravidade vir à tona, o tamanho do problema vir à tona, o presidente foi informado, porque a escala do problema não era um ‘banquinho’ com pouco dinheiro, era uma coisa relevante. E a orientação do presidente para todos os interlocutores foi de que ‘leve as informações para as autoridades competentes e façam o melhor trabalho técnico possível para que este assunto chegue ao fim’”, afirmou Haddad, em entrevista à Rádio Band.

Ele ainda lembrou de suas reuniões com o antigo presidente do BC, Roberto Campos Neto, e destacou que nunca teve agenda para falar sobre o Master. Segundo ele, a gravidade só começou a aparecer em 2024, quando surgiram propostas de elevação do seguro do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Leia mais: O que é o FGCoop e como funciona o “irmão” do FGC

“Aquilo (ampliar o limite do FGC) me chamou atenção, isso não era normal. E colocamos o radar ligado na Fazenda, porque uma quebra de banco pode ter implicações tributárias severas (...) Tem implicações para fundos de pensão que compraram papel do Master. Tem implicações para várias coisas”, afirmou.

Nas últimas semanas, quase sempre Haddad tem comentado sobre o caso do Master, que se tornou um dos maiores escândalos do setor bancário dos últimos anos. Sem dinheiro para pagar as dívidas, o banco foi fechado pelo BC.

Agora, o FGC trabalha para ressarcir todos os correntistas que tinham contas na instituição e que estão na lista de pagamento. Estima-se que ao menos R$ 40 bilhões serão repassados aos investidores.

Na última atualização feita pelo órgão, na segunda (2), 80% dos listados já tinham sido ressarcidos. Isso representa um total de R$ 35,1 bilhões já depositados nas contas de cada beneficiário.

“É importante que os credores mantenham ativas as notificações do aplicativo para receber alertas sobre eventuais providências necessárias para a evolução do processo de pagamento”, diz nota da instituição.