Correios reabrem PDV e planejam saída de 10 mil funcionários ainda em 2026

No total, a expectativa é de que até 15 mil empregados deixem a companhia até 2027, sendo 10 mil neste ano e outros 5 mil no próximo.

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Publicado em 30/01/2026 às 16:38h - Atualizado 10 horas atrás Publicado em 30/01/2026 às 16:38h Atualizado 10 horas atrás por Matheus Silva
Segundo a empresa, o PDV é uma das principais frentes de redução de despesas (Imagem: Shutterstock)
Segundo a empresa, o PDV é uma das principais frentes de redução de despesas (Imagem: Shutterstock)
🚨Os Correios vão reabrir, a partir da próxima semana, as inscrições para o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que pode resultar na saída de cerca de 10 mil funcionários ainda em 2026. 
A iniciativa faz parte de um amplo plano de recuperação financeira da estatal, que tenta conter prejuízos recorrentes e reequilibrar suas contas após anos de resultados negativos.
Segundo a empresa, o PDV é uma das principais frentes de redução de despesas e está alinhado à estratégia anunciada em dezembro. 
No total, a expectativa é de que até 15 mil empregados deixem a companhia até 2027, sendo 10 mil neste ano e outros 5 mil no próximo.

Economia esperada chega a R$ 2,1 bilhões por ano

Com a adesão ao plano, os Correios projetam uma economia anual de aproximadamente R$ 2,1 bilhões em despesas com pessoal. 
Os desligamentos previstos para este ciclo devem ser concluídos até o fim de maio, enquanto as inscrições para o PDV 2026 permanecerão abertas até 31 de março.
A estatal reforça que a participação é totalmente voluntária e que o programa segue critérios específicos de elegibilidade, definidos para priorizar funcionários com maior tempo de casa e histórico recente de remuneração.

Quem pode aderir ao PDV dos Correios

Para participar do plano de demissão voluntária, o funcionário precisa atender a alguns requisitos básicos estabelecidos pela empresa:
  • Ter, no mínimo, 10 anos de efetivo exercício nos Correios
  • Ter recebido remuneração por pelo menos 36 meses nos últimos 60 meses
  • Ter menos de 75 anos na data prevista para o desligamento
Segundo a companhia, essas regras buscam equilibrar o impacto financeiro do programa com a preservação de áreas consideradas estratégicas para a operação.

Fechamento de agências também está no radar

Além do PDV, os Correios planejam fechar cerca de 1 mil agências consideradas deficitárias. A medida, combinada ao redesenho da malha logística, também deve gerar uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões.
Mesmo com essas ações, a situação financeira da estatal segue delicada. A expectativa é de um déficit em torno de R$ 9 bilhões em 2025, com possibilidade de prejuízo ainda maior em 2026. Segundo a presidência da empresa, o retorno ao lucro só deve ocorrer a partir de 2027.

Prejuízos acumulados e déficit estrutural

O plano de ajuste tenta reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízo. 
Hoje, os Correios enfrentam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, atribuído principalmente ao custo da universalização do serviço postal, especialmente em regiões remotas e de baixa rentabilidade.
Para enfrentar esse cenário, a estatal aposta em uma combinação de cortes, captação de recursos e diversificação de receitas.

Outras medidas do plano de recuperação

Além do PDV e do fechamento de agências, o plano estratégico dos Correios inclui:
  • Empréstimo de R$ 12 bilhões, sendo R$ 10 bilhões em 2026 e R$ 2 bilhões em 2027
  • Operação adicional de crédito de R$ 8 bilhões em 2026
  • Revisão dos planos de saúde, com economia estimada em R$ 700 milhões
  • Novas parcerias e diversificação de atividades, incluindo serviços financeiros e seguros, com potencial de R$ 1,7 bilhão em receitas
  • Venda e alienação de imóveis e ativos, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão
  • Empréstimo de R$ 4,4 bilhões junto ao banco dos Brics para modernização tecnológica
  • Contratação de consultoria para revisar o modelo organizacional e societário
📊O conjunto de medidas mostra a dimensão do esforço necessário para reverter a crise financeira da estatal e garantir a sustentabilidade dos Correios nos próximos anos.