A prévia da inflação oficial, o
IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) de janeiro trouxe um número ligeiramente melhor do que o esperado, mas longe de ser um ponto de virada. O IPCA-15 avançou 0,20%, e levou a inflação acumulada em 12 meses a 4,50%. O dado foi recebido com um misto de alívio e cautela pelo mercado financeiro nesta terça-feira (27).
💲 Para Pablo Spyer, conselheiro da ANCORD, o número cheio indica que a inflação segue sob controle na margem, ajudada principalmente pela queda das passagens aéreas. O problema, segundo ele, está na composição.
A alta em 12 meses reflete um efeito estatístico da base fraca do início de 2025, mas também pressões sazonais mais intensas em alimentação. “Os núcleos seguem resilientes, com serviços subjacentes e bens industrializados mostrando persistência”, afirma. Nesse contexto, o dado reforça a leitura de que ainda não há espaço para discutir cortes na Selic no curto prazo.
Leitura semelhante faz Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do
Banco Pine (PINE4). Ele destaca que o IPCA-15 veio abaixo tanto do mês anterior quanto da mediana das expectativas, enquanto a média dos núcleos ficou em 0,43%, inferior à observada em janeiro de 2024.
O economista mantém a projeção de 0,35% para o IPCA cheio de janeiro, com leve viés de baixa, e estima inflação de 3,8% em 2026, com riscos equilibrados.
Favorece o planejamento de grandes investimentos
No setor imobiliário, o dado foi visto de forma mais construtiva. Para Pedro Kopstein, sócio da joint venture da incorporadora LIV Inc-Kopstein, uma inflação em níveis controlados traz previsibilidade e favorece o planejamento de grandes investimentos.
No segmento de altíssimo padrão, segundo ele, o cenário reforça a atratividade dos ativos reais, que historicamente superam a inflação em localizações exclusivas e funcionam como proteção patrimonial no longo prazo.
Grupos e Selic
Já Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, chama atenção para o comportamento dos grupos. O resultado veio em linha com as expectativas da casa, com serviços mostrando uma composição menos negativa, influenciada pelo item seguro voluntário de veículos.
💸 Ainda assim, ela alerta que o núcleo de serviços segue pressionado e incompatível com a meta. Nos bens industriais, a aceleração foi mais forte do que o mercado esperava, revertendo a desaceleração observada no fim do ano passado, o que mantém a projeção anual em 4,1%.
Na mesma linha de análise detalhada, Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, destaca que a surpresa positiva veio acompanhada de desafios importantes.
O grupo Saúde e Cuidados Pessoais liderou as altas, enquanto a alimentação no domicílio voltou a subir após sete meses de queda, puxada por itens como tomate, batata e carnes. Do lado negativo, a habitação recuou com a adoção da bandeira tarifária verde.
Apesar disso, o núcleo avançou 0,42%, acima do esperado, e a difusão aumentou para 63%, indicando que a alta de preços foi mais espalhada.
Para o Copom, segundo ela, o dado não deve alterar a decisão desta semana, com manutenção da
Selic em 15%, mas abre espaço para uma sinalização de queda em março. Para fevereiro, a redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras tende a trazer um viés baixista adicional.