China limita churrasco brasileiro em 2026, mas analistas têm "preferência saborosa"

Saiba qual frigorífico, entre JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva Foods (BEEF3), dribla os chineses.

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Publicado em 02/01/2026 às 15:31h - Atualizado 11 minutos atrás Publicado em 02/01/2026 às 15:31h Atualizado 11 minutos atrás por Lucas Simões
Ações de frigoríficos brasileiros caem forte neste início de ano (Imagem: Shutterstock)
Ações de frigoríficos brasileiros caem forte neste início de ano (Imagem: Shutterstock)
2026 começa no modo "vacas magras" para os frigoríficos brasileiros exportadores de carne bovina à China. Após o governo chinês decidir limitar a quantidade de churrasco que comprará do Brasil, impondo um tarifaço de 55% sobre o que exceder das cotas de importação, as empresas brasileiras do ramo operavam em forte queda nesta sexta-feira (2).
Quem mais sofreu com a nova dieta dos chineses foram as ações da Minerva Foods (BEEF3), que desabavam -6,60%, negociadas por R$ 5,39 cada. Na sequência, os papéis da MBRF (MBRF3) patinavam -4,45%, a companhia resultante da fusão entre Marfrig e BRF em 2025.
Só que, na visão dos analistas do BTG Pactual, nem todo frigorífico brasileiro exportador à China sairá tão chamuscado dessa nova configuração de cotas de importação. Justamente quem faltou citar, a JBS (JBSS32), é o nome mais competitivo e resiliente.
De fato, as ações da JBS negociadas na bolsa de valores cediam bem menos que seus pares, na ordem de -2,62%, uma vez que seu modelo de negócios é bem mais diversificado que seus concorrentes, tanto em quesito de geografia de clientes, quanto na oferta de diferentes tipos de proteínas de origem animal (bois, frangos, suínos e pescados).
O BTG Pactual joga luz ao aspecto de que a China provavelmente não está disposta a permitir que suas importações de carne bovina se tornem significativamente mais relevantes no mix local de oferta. Tributar importações elevará provavelmente os preços locais da carne e incentivará a produção doméstica no longo prazo.
No Brasil, as exportações de carne bovina representam aproximadamente 30% das vendas totais, com cerca de 3 milhões de toneladas exportadas nos últimos doze meses. A China respondeu por 54% desse volume (1,6 milhão de toneladas), o equivalente a cerca de 15% da produção total de carne bovina do Brasil.
"Com um terço das exportações para a China agora provavelmente precisando ser redirecionadas para outros mercados, estimamos que cerca de 5% da produção brasileira de carne bovina precisará encontrar destinos alternativos", comentam os analistas Thiago Duarte, Guilherme Guttilla e Bruno Henriques, em relatório.

Frigoríficos em 2026

Empresas com uma produção geograficamente mais diversificada na América Latina podem estar mais bem posicionadas para ajustar volumes dos bovinos, já que as cotas isentas de tarifas para países como Argentina e Uruguai superam seus volumes atuais de exportação para a China.
Ao mesmo tempo, não é que os analistas esperem que os frigoríficos brasileiros fiquem totalmente ilesos dos impactos do novo "apetite chinês", já que a preocupação para esse ramo do agronegócio é que a China talvez deixe de ser vista como o principal motor de crescimento do setor.
É, por isso, que a JBSS32 permanece como a única ação com recomendação de compra no setor de proteínas de origem animal, com o BTG Pactual estabelecendo preço-alvo de R$ 110 por ação. Ou seja, um potencial de valorização de +42% nos próximos 12 meses.
Por outro lado, tanto a Minerva Foods quanto a MBRF são mais suscetíveis aos impactos negativos decorrentes das cotas de importação chinesas, que podem limitar o acesso ao seu mercado, gerando incerteza nas operações.
As recomendações dos analistas são neutras para ambos os frigoríficos, ainda que BEEF3 ostente potencial de valorização de +57% caso atinja o preço-alvo de R$ 8,50 por ação. Já MBRF3 apresenta preço justo de R$ 26 por ação, o que implica em apreciação de +35%.