Segundo o executivo, o cenário começa a mudar em 2026, com sinais claros de retomada do apetite dos investidores, especialmente estrangeiros, por ativos brasileiros.
“Parece ser o prenúncio de que vem potencialmente uma onda de aberturas de capital no Brasil”, afirmou Finkelsztain na última quinta-feira (5), durante encontro com jornalistas.
Infraestrutura deve puxar os primeiros IPOs
De acordo com o CEO da bolsa, o movimento inicial deve ser liderado por empresas consolidadas do setor de infraestrutura, com operações de grande porte e potencial para levantar bilhões de reais em ofertas.
Esse perfil, segundo ele, tende a ser mais resiliente em um ambiente ainda marcado por juros elevados e maior seletividade dos investidores.
Atualmente, a
taxa Selic segue em 15% ao ano, o que historicamente encarece o custo de capital e reduz o número de companhias dispostas a acessar o mercado. Ainda assim, Finkelsztain avalia que o interesse estrangeiro pode compensar parte dessas restrições.
Interesse externo ganha força após IPO do PicPay
O presidente da B3 destacou que a recente estreia do banco digital
PicPay (PICS) no mercado norte-americano ajudou a movimentar o interesse por empresas brasileiras. A operação, concluída no fim de janeiro na Nasdaq, foi vista como um sinal positivo para investidores globais.
Segundo Finkelsztain, há hoje mais de 50 empresas brasileiras prontas para abrir capital, aguardando apenas uma janela mais favorável de mercado para avançar com seus planos.
Antes do IPO do PicPay, os últimos registros de estreias relevantes haviam ocorrido em 2021, com a oferta da
Vittia (VITT3) na própria B3 e a listagem do
Nubank (ROXO34) na Nyse.
Além disso, a fintech Agibank também está na fila para acessar o mercado internacional, após protocolar seu prospecto preliminar e solicitar listagem na Nyse.
Apesar do tom otimista, Finkelsztain fez questão de ponderar que o ambiente ainda impõe desafios relevantes. O fato de 2026 ser um ano eleitoral no Brasil, somado ao patamar elevado dos juros, pode limitar o volume de operações ou adiar parte das ofertas planejadas.
Segundo ele, esses fatores aumentam a volatilidade e elevam o grau de cautela dos investidores, especialmente em negócios mais sensíveis ao ciclo econômico.
B3 lança marca Trillia para diversificar receitas
Durante o evento, o CEO da B3 também anunciou o lançamento da Trillia, nova marca que passa a concentrar os negócios de dados, tecnologia e soluções analíticas da companhia.
A iniciativa reúne empresas adquiridas nos últimos anos e faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência da bolsa em relação aos ciclos do mercado de capitais, apostando em receitas mais recorrentes e contracíclicas.
📈 Segundo Finkelsztain, a diversificação fortalece o modelo de negócios da B3 e amplia sua relevância além da negociação de ações.