Bitcoin apanhando da IA em 2026 bota medo ou destrava oportunidade?

Charles Wicz, o Economista Sincero, revela o que está fazendo em sua carteira pessoal de criptomoedas.

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Publicado em 06/03/2026 às 07:15h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 06/03/2026 às 07:15h Atualizado 2 minutos atrás por Lucas Simões
Entenda como o investidor de longo prazo deve lidar com o Bitcoin em momentos de estresse (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)
Entenda como o investidor de longo prazo deve lidar com o Bitcoin em momentos de estresse (Imagem: Ilustração criada com inteligência artificial)
Depois de tanto apanhar em 2026, até que o Bitcoin (BTC) tomou um respiro se aproveitando da escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, saindo das mínimas de preço aos US$ 60 mil e voltando a ficar acima dos US$ 70 mil neste início de março.
Todavia, a narrativa de que a criptomoeda perdeu força como o 'ouro digital' e que seu comportamento mais se assemelha às ações de gigantes de tecnologia segue dando pano para a manga.
Para Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e mais conhecido do grande público como o fundador do canal Economista Sincero, não há como se esquecer da sangria que houve no mercado de criptomoedas no último dia 5 de fevereiro.
Em questão de poucas horas, o mercado de ativos havia amanhecido em ‘banho de sangue’, com o próprio Bitcoin despencando -10%, quando fez mínima em US$ 60.074,20.
O movimento, que naquela ocasião varreu mais de US$ 200 bilhões do mercado cripto, não era um evento isolado das moedas virtuais. Segundo o Economista Sincero, o fenômeno reflete um nervosismo profundo que atinge as gigantes da tecnologia. 
O empresário e educador financeiro reconhece que a natureza do BTC mudou aos olhos do investidor institucional. Se antes era visto apenas como uma reserva de valor alternativa, hoje opera como um ativo tecnológico.
E se antes o Bitcoin colhia junto às gigantes de tecnologia americanas o favoritismo, com investidores sedentos por ter a tese da inteligência artificial (IA) em carteira, agora a fraqueza de tais ativos em 2026 só reflete parte de um reposicionamento global.
A correlação entre o Bitcoin e o setor tecnológico nunca foi tão forte, diz Charles Mendlowicz (Imagem: Divulgação/Ticker Wealth)

O medo da IA

Criado com a proposta de funcionar como o ouro digital e oferecer proteção contra instabilidade monetária, o Bitcoin tem apresentado comportamento que, cada vez mais, frustra seus early adopters (a galera que apostou na criptomoeda lá perto dos seus primórdios em 2008).
A história é tão robusta que rendeu um relatório inteiro da casa de análise americana Grayscale Investments, visto que, nos últimos dois anos, o BTC apresentou forte correlação com ações de empresas de software.
Sob o estudo do autor Zach Pandl, embora a maior criptomoeda do mundo continue sendo vista como reserva de valor no longo prazo, no curto prazo ela se comporta mais como uma ação de alto crescimento, não muito diferente de uma Nvidia (NVDC34) da vida, a empresa número 1 do mundo, quando o assunto é IA
É por isso que o Economista Sincero bate na tecla de que o "x" da questão sobre o Bitcoin em 2026 é o seu medo da IA e como a sua correlação com as big techs que vêm gastando bilhões de dólares na narrativa têm provocado o desconto de -43% ante a máxima histórica de preço aos US$ 126,1 mil registrada em outubro de 2025.
"O Bitcoin está migrando de um refúgio seguro para um ativo tecnológico na questão de como os investidores estão enxergando. No momento em que as ações de tecnologia começam a cair muito, o Bitcoin acaba indo junto. Essa visão é muito forte", explica Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth.
Embora os balanços de empresas como Microsoft (MSFT34), Google (GOGL34) e Amazon (AMZO34) tenham apresentado lucros bilionários em 2025, as ações vêm despencando neste ano. O motivo? O mercado está punindo o alto custo de capital (Capex) destinado à IA e o Bitcoin está sendo dragado junto.
No acumulado em 12 meses, até o fechamento do último dia 5 de março, o BTC amargava desvalorização de quase -20%, segundo dados do Investidor10. Ou seja, se você tivesse investido US$ 1 mil na criptomoeda há um ano, hoje você teria US$ 803,59.
Cotação do Bitcoin no acumulado em 12 meses (Fonte: Investidor10)

Bitcoin: cilada ou oportunidade?

Apesar do cenário de pânico e do índice de medo estar em níveis extremos, o Economista Sincero mantém a calma e enxerga o recuo do Bitcoin como um ponto de entrada estratégico. Ele confirmou ao Investidor10 que aproveitará a queda da criptomoeda para aumentar sua posição pessoal no ativo.
O tema é tão robusto que rendeu vídeo em seu canal no YouTube, em que Charles Mendlowicz detalhou por que a alavancagem é uma armadilha, principalmente em ativos extremamente voláteis, e como o comportamento do investidor pesa muito mais do que a própria queda.
Para Mendlowicz, o momento exige estômago e, acima de tudo, evitar a alavancagem, prática de investir dinheiro emprestado para maximizar lucros, que causou liquidações em massa naquela fatídica madrugada.
"A queda do Bitcoin não é novidade. Eu já vi quedas dessa proporção em 2017 e 2018. O problema não é a queda, mas o comportamento do investidor. Quedas fortes costumam criar ótimas oportunidades. Eu disse que compraria abaixo de US$ 65 mil e sou um cara de palavra: já vou comprar", garante o Economista Sincero.
Na visão do educador financeiro, quem é investidor de longo prazo, não é para sair vendendo tudo nem comprando tudo desesperadamente. Olhar a janela de curto prazo engana muito e é por isso que tem muita gente perdendo tudo porque o mercado cai, a corretora elimina as posições alavancadas e a pessoa perde o patrimônio da família.

Dinheiro voltando ao Bitcoin

Como dissemos no início desta reportagem especial, os fluxos de dinheiro estão voltando para o Bitcoin. Tal sustentação do movimento passa a depender de fluxos e posicionamento tático, que passaram a dar sinais mais construtivos.
Por exemplo, os ETFs de Bitcoin listados na bolsa de valores americana registraram US$ 787,31 milhões em entradas de capital na última semana, encerrando o período de cinco semanas consecutivas de resgates, conforme dados da consultoria Sosovalue.
ETFs de Bitcoin voltam a ter entradas líquidas na virada de março de 2026 (Fonte: Sosovalue)
Na leitura dos analistas do BTG Pactual (BPAC11), o sinal sugere recomposição da demanda institucional vinda dos EUA, que concentra a maior parte do volume de negociação da corretora, em linha com a melhora observada nos fluxos de ETFs. 
"Se a métrica continuar positiva, a probabilidade de sustentação da tendência de alta recente também aumenta. Mas é preciso ter fechamentos diários acima de US$ 72 mil no BTC para que o movimento tenha continuidade", afirmam os analistas Lucas Josa e Matheus Parizotto, em relatório.
Já no mercado de derivativos, os funding rates de contratos futuros perpétuos ficaram negativos de forma persistente, indicando aumento da procura por posições vendidas.
Nesse contexto, uma alta mais forte tende a elevar a probabilidade de um “short squeeze”, com recompras acelerando a alta e ampliando a assimetria para cima no curto prazo.
Procura por posições vendidas em Bitcoin sobe em 2026 (Fonte: CryptoQuant)
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin interrompeu a sequência de topos e fundos descendentes e superou as máximas que vinham limitando a recuperação desde o início de fevereiro.