Banco do Brasil (BBAS3) promete voltar a crescer em 2026, mas mercado faz alerta

Para analistas, o guidance sugere uma recuperação gradual dos resultados do BB.

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Publicado em 12/02/2026 às 11:37h - Atualizado 14 minutos atrás Publicado em 12/02/2026 às 11:37h Atualizado 14 minutos atrás por Marina Barbosa
CEO do BB, Tarciana Medeiros prevê ano de desafios e oportunidades (Imagem: Agência Brasil)
CEO do BB, Tarciana Medeiros prevê ano de desafios e oportunidades (Imagem: Agência Brasil)
O Banco do Brasil (BBAS3) acredita que este será mais um ano desafiador. Ainda assim, espera seguir uma curva de recuperação e voltar a ampliar os seus resultados em 2026.
💲 Em 2025, o BB foi pressionado pela alta da inadimplência e das provisões, sobretudo no segmento rural. Por isso, viu seu lucro diminuir 45,4% em relação a 2024.
Apesar de uma melhora nos resultados do último trimestre, o Banco do Brasil terminou o ano passado com um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões.
📈 Para 2026, a expectativa é de um crescimento de 15% a 26% desse resultado, o que significa um lucro líquido ajustado anual entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. 
Ou seja, o BB espera que o resultado deste ano cresça em relação a 2025, mas ainda fique significativamente abaixo do patamar recorde de R$ 37,9 bilhões observado em 2024.

Desafios permanecem...

Ao apresentar o guidance nesta quinta-feira (12), a diretoria do BB explicou que este ainda será um ano desafiador, pois a inadimplência no agronegócio segue pressionada.
"2025 foi desafiador, 2026 será desafiador", resumiu a CEO, Tarciana Medeiros, dizendo que, ao menos, a instituição já aprendeu a lidar com essa situação.
O BB reforçou os mecanismos de análise de riscos, recuperação de créditos e obtenção de garantias diante da crise observada em 2025. Além disso, já renegociou mais de R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais.
Tarciana prometeu, então, seguir com disciplina na execução e com uma gestão estratégica de crédito em 2026, para dar continuidade à recuperação iniciada no quarto trimestre de 2024.
Segundo ela, o BB não vai abandonar o agronegócio, mas vai tentar rebalancear a carteira de crédito para ampliar a participação em linhas mais rentáveis e seguras. A principal aposta nesse sentido é o crédito consignado, público e privado.

Mas há oportunidades

Para Tarciana Medeiros, o cenário econômico pode favorecer o Banco do Brasil neste ano.
Afinal, a taxa Selic deve entrar em uma trajetória de queda, a taxa de desemprego está nas mínimas históricas, a safra deve atingir um novo recorde e a economia brasileira deve seguir em crescimento, mesmo que em menor ritmo.
A ampliação da faixa de isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil também é vista como uma oportunidade, pois amplia a renda disponível de milhões de brasileiros. 
Só no BB, a medida libera um potencial de R$ 28 bilhões de crescimento do crédito consignado, segundo a CEO.
Diante disso, o Banco do Brasil espera ampliar em até 10% o crescimento da carteira de crédito das pessoas físicas em 2026 -um ritmo bem superior ao previsto para as empresas e o agronegócio.

Veja o guidance do Banco do Brasil para 2026:

  • Carteira de crédito: 0,5% a 4,5%;
  • Pessoas físicas: 6% a 10%;
  • Empresas: -3% e 1%;
  • Agronegócio: -2% e 2%;
  • Carteira sustentável: 2% e 6%;
  • Margem Financeira Bruta: 4% e 8%;
  • Custo do crédito: R$ 53 bi e R$ 58 bi;
  • Receitas de prestação de serviços: 2% e 6%;
  • Despesas administrativas: 5% e 9%.
  • Lucro líquido ajustado: R$ 22 bi e R$ 26 bi.

A avaliação do mercado

Para a XP, o guidance do BB "sugere uma recuperação gradual sustentada por melhores spreads e provisões ligeiramente menores".
Os analistas observaram, contudo, que o ritmo de melhora na qualidade de crédito continuará sendo uma variável fundamental a ser observada neste ano.
Já a Genial Investimentos esperava projeções mais ambiciosas. Por isso, disse que "o guidance 2026 frustra expectativas" e sinaliza que "a recuperação será mais lenta e menos intensa que o esperado".
O BTG também tinha expectativas maiores, mas observou que o guidance está em linha com o consenso de mercado.
O banco avaliou, contudo, que "a visibilidade em torno da normalização da exposição da BB ao agronegócio —tanto em termos de prazos como de rentabilidade estável — continua limitada". 
Por isso, reforçou que "a normalização deve demorar" e reiterou a recomendação neutra para as ações do BB. XP e Genial Investimentos também têm uma postura neutra em relação ao papel. 
"De forma geral, os resultados do 4T reforçam sinais de estabilização, mas não mudam materialmente nossa postura cautelosa. Dado o cenário ainda pressionado de qualidade de ativos, a visibilidade moderada sobre a velocidade de normalização, custos de crédito ainda elevados, múltiplos mais altos e menor dividend yield, mantemos nosso rating de Neutro", afirmou a XP.