Ata do Copom: Selic deve cair em março, mas tamanho do corte ainda está em aberto

A ata do Copom diz que a extensão do ciclo de corte de juros será definido ao longo do tempo.

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Publicado em 03/02/2026 às 10:08h - Atualizado 15 minutos atrás Publicado em 03/02/2026 às 10:08h Atualizado 15 minutos atrás por Marina Barbosa
BC divulgou a ata da última reunião do Copom nesta 3ª (Imagem: Shutterstock)
BC divulgou a ata da última reunião do Copom nesta 3ª (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) reforçou a intenção de começar a reduzir a taxa básica de juros em março. Contudo, avisou que o tamanho do corte da Selic vai depender da evolução do cenário econômico.
🏦 A mensagem consta na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (3), e reforça a percepção de que a taxa básica de juros deve começar a cair em breve, mas de forma gradual.
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano na última quarta-feira (28), mas indicou que pretende iniciar a flexibilização da política monetária na sua próxima reunião, caso o cenário esperado se confirme.
Na ata, o comitê disse que "julgou adequado" abrir o caminho para o ciclo de corte de juros devido à dinâmica recente da inflação e aos sinais mais claros de transmissão da política monetária.
Contudo, avisou que ainda vê a necessidade de manter juros altos por algum tempo, para garantir a convergência da inflação e das expectativas da inflação à meta, diante de riscos como o dinamismo do mercado de trabalho.
🔎 Por isso, o Copom preferiu não dar pistas sobre qual será a extensão do ciclo de corte de juros.
"O comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa", diz a ata do Copom. 
E explica: "Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras".

A avaliação do Copom

Na ata da primeira reunião de 2026, o Copom observou que a inflação e as expectativas de inflação melhoraram, mas seguem acima da meta de 3% ao ano.
O Banco Central espera que a inflação suba 3,4% em 2026 e marque 3,2% no terceiro trimestre de 2027, o atual horizonte relevante da política monetária. E essas expectativas são mais otimistas que as do mercado, que vê os preços subindo 3,99% neste ano e 3,80% no próximo, segundo o Boletim Focus.
Além disso, o Copom avaliou que o cenário segue apresentando riscos mais elevados do que o usual no longo prazo, apesar de alguma redução das incertezas relacionadas aos horizontes mais próximos.
Por isso, concluiu que ainda é preciso manter "perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária".
"A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", diz a ata do Copom.

A avaliação do mercado

Diante do tom cauteloso do Copom, o mercado está dividido sobre qual será o tamanho do primeiro corte da Selic.
Segundo o Focus, a maior parte do mercado espera que o ciclo de flexibilização da política monetária já comece com um corte de 0,50 ponto percentual da Selic. Ou seja, com os juros caindo dos atuais 15,00% para 14,50%.
Algumas casas, no entanto, mantêm uma postura mais cautelosa. É o caso do Itaú BBA e da Ativa Investimento, que veem os juros caindo apenas 0,25 ponto percentual em março.
O corte é esperado para a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 17 e 18 de março. Mas não deve ser o único.
Segundo o Boletim Focus, a expectativa do mercado é de que a taxa Selic chegue a 12,25% até o final de 2026 e caia para 10,50% em 2027.