Governo do DF quer empréstimo de até R$ 6,6 bi para salvar o BRB (BSLI4)
O texto autoriza o Executivo local a contratar até R$ 6,6 bilhões em crédito junto ao FGC e outras instituições financeiras.
Nesta quarta-feira (25), o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse que não há discussão sobre uma eventual compra das carteiras do BRB (BSLI4) pela Caixa Econômica Federal. Ele atua também como presidente do conselho de administração do banco público, que vem sendo alvo de especulações nesse sentido.
Durante a coletiva de imprensa, Ceron ainda destacou que a atual situação do BRB limita a tomada de crédito no mercado e também junto à União. Isso porque o controlador do banco, que é o governo do Distrito Federal, tem questões fiscais pendentes.
“Se o BRB precisar ter algum tipo de apoio, não é exatamente por meio de uma instituição financeira que isso tem que acontecer. Isso tem que ser uma construção mais ampla com o que tem de disponível, seja o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou outras alternativas que possam vir a ser cogitadas”, afirmou.
A resposta do secretário vem dois dias depois que começaram a circular no mercado notícias de que a Caixa poderia incorporar o banco sediado em Brasília. Essa seria uma solução para a crise sem precedentes em que a instituição está envolvida, desde que começou a ser investigada no escândalo que envolve o Banco Master.
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Conforme apuração de veículos da imprensa, a Caixa poderia aportar até R$ 20 bilhões na compra de ativos do BRB. Nesse caso, por se tratar de um banco público, a União atuaria como garantidora dos recursos.
O caminho mais fácil seria a federalização do banco, como aconteceu com algumas outras empresas estaduais que foram transferidas para a administração federal como pagamento de dívidas. O assunto deve ser tema das próximas reuniões do conselho de administração, embora haja um cálculo sobre o impacto político dessa decisão em ano eleitoral.
Na última terça-feira (24), o governo do DF enviou um projeto de lei à Câmara Legislativa que abre caminho para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para o BRB. O valor seria levantado junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ou com outras instituições financeiras.
Para isso, o governo incluiu uma série de imóveis públicos como garantia da operação, sem destacar quanto valeria cada um deles. Inicialmente, o Parque Guará, um dos mais importantes da capital federal, estava no documento, mas foi retirado em um segundo momento.
Os deputados distritais devem avaliar e votar a proposta na semana que vem, conforme cronograma previsto. O presidente do BRB deve se dirigir ao plenário na próxima segunda-feira para explicar a situação financeira do banco.
O texto autoriza o Executivo local a contratar até R$ 6,6 bilhões em crédito junto ao FGC e outras instituições financeiras.
A discussão ocorre em momento delicado para o BRB, que enfrenta dificuldades após a crise do Banco Master.