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Spotify (S1PO34), uma das maiores plataformas globais de música e áudio, decidiu dar um passo além do streaming e entrar de vez no mercado de livros físicos.
A empresa anunciou que passará a vender títulos impressos diretamente dentro do seu aplicativo, em um movimento estratégico que a coloca em rota de colisão com a
Amazon (AMZO34), líder histórica do comércio de livros.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Spotify de se consolidar como um ecossistema completo de consumo de conteúdo, que já inclui música, podcasts e audiolivros, e agora passa a integrar também o formato físico, ainda dominante no setor editorial.
Parceria com livrarias independentes
Para viabilizar a operação, o Spotify firmou parceria com a Bookshop.org, organização conhecida por conectar leitores a livrarias independentes e oferecer uma alternativa ao modelo centralizado da Amazon.
O lançamento inicial ocorrerá nos Estados Unidos e no Reino Unido, com previsão até o fim da primavera no hemisfério norte, ou seja, até junho.
Na prática, os usuários poderão descobrir livros dentro do aplicativo do Spotify e finalizar a compra por meio da Bookshop.org, mantendo a experiência integrada.
Segundo a empresa, a proposta é transformar a descoberta de livros em algo tão fluido quanto a descoberta de músicas e podcasts, aproveitando dados de preferência, hábitos de consumo e curadoria algorítmica.
Audiolivros como motor de crescimento
O movimento não surge do nada. Desde a introdução dos audiolivros no plano Premium, o Spotify identificou um aumento relevante no interesse por conteúdos literários quando estes são mais fáceis de encontrar e consumir.
“Desde o lançamento dos audiolivros no Premium, percebemos que, quando os livros são mais fáceis de descobrir e apreciar, a demanda cresce, tornando o Spotify um verdadeiro motor de crescimento para a indústria editorial”, afirmou Owen Smith, diretor global de audiolivros do Spotify, em comunicado.
Na visão da companhia, a entrada nos livros físicos é uma extensão natural dessa estratégia, ampliando o alcance do usuário para diferentes formatos de leitura.
Apesar do avanço do digital, o Spotify destacou que o livro físico segue como o formato preferido da maioria dos leitores. Em 2025, os exemplares impressos responderam por cerca de 73% da receita do mercado editorial, reforçando que ainda há amplo espaço para inovação e integração nesse segmento.
“Para apoiar a forma como as pessoas leem, queremos facilitar o acesso aos títulos no formato que melhor lhes convir”, afirmou a empresa.
Esse dado ajuda a explicar por que o Spotify decidiu não se limitar aos audiolivros e passar a atuar também na venda de exemplares físicos.
Page Match: integração entre papel e áudio
Além da venda de livros, o Spotify anunciou o lançamento do Page Match, um recurso que promete integrar leitura tradicional e audição de forma inédita. A ferramenta permitirá que o usuário alterne entre o livro físico (ou e-book) e o audiolivro sem perder o ponto da história.
Disponível para usuários de iOS e Android, inicialmente para a maioria dos títulos em inglês até o fim de fevereiro, o Page Match sincroniza automaticamente o progresso da leitura.
“Em vez de interromper a leitura ou perder o ritmo quando precisa sair de casa, entrar no carro ou correr, agora você pode continuar a história exatamente de onde parou”, destacou o Spotify.
Desafio direto à Amazon
A Amazon começou sua trajetória justamente como uma livraria online e, ao longo dos anos, expandiu para múltiplos mercados, incluindo música, com o Amazon Music. Agora, o Spotify faz o caminho inverso: parte do áudio para disputar espaço nas estantes.
💲 Mais do que vender livros, o Spotify sinaliza que pretende disputar atenção, dados e relacionamento com o usuário em um mercado que vai muito além da música e que pode redefinir a forma como leitores descobrem, compram e consomem livros nos próximos anos.