Agibank: Conheça a fintech brasileira que mira um IPO nos EUA

O Agibank apresentou um pedido de IPO à Nyse e, com isso, pretende captar US$ 1 bilhão.

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Publicado em 14/01/2026 às 14:54h - Atualizado 5 minutos atrás Publicado em 14/01/2026 às 14:54h Atualizado 5 minutos atrás por Marina Barbosa
Agibank é um banco digital brasileiro, com 6,4 milhões de clientes ativos (Imagem: Facebook/Reprodução)
Agibank é um banco digital brasileiro, com 6,4 milhões de clientes ativos (Imagem: Facebook/Reprodução)

Mais um banco digital brasileiro quer passar a ter ações negociadas em bolsa -só que nos Estados Unidos.

🏦 É o Agibank, que apresentou nesta quarta-feira (14) um pedido de IPO (oferta pública inicial de ações) na Bolsa de Valores de Nova York, a Nyse.

O objetivo é ser listado sob o ticker "AGBK" e captar US$ 1 bilhão com a oferta, segundo a "Reuters" e a "Bloomberg", respectivamente.

Com esse movimento, o Agibank segue os passos de Nubank (ROXO34), XP (XPBR31), Inter (INBR32) e PagBank (PAGS34), que também nasceram no Brasil, mas abriram capital nos Estados Unidos.

Há pouco mais de um ano, por sinal, o negócio chamou a atenção de um dos conselheiros do Nubank, Daniel Goldberg.

Um fundo de private equity criado pelo executivo fez um aporte de R$ 400 milhões e, com isso, passou a deter 4% do Agibank. Goldberg decidiu, então, deixar o roxinho para se tornar acionista estratégico e membro do Conselho do Agibank.

Naquela época, o Agibank foi avaliado em R$ 9,3 bilhões e indicou que usaria o aporte para avançar com o seu plano de expansão.

PicPay também está na fila

Este não é o único banco digital brasileiro que quer aproveitar o aumento do interesse dos investidores estrangeiros por ativos de risco para estrear na bolsa.

O PicPay também entrou na fila de IPOs dos Estados Unidos recentemente. O "verdinho" formalizou no início do ano o pedido de listagem de suas ações, sob o código "PICS". E, com isso, pretende levantar cerca de US$ 500 milhões.

O PicPay, contudo, escolheu a Nasdaq para listar as suas ações, em uma tentativa de reforçar o caráter tecnológico do negócio.

Acabou a seca de IPOs?

Estes podem ser os primeiros IPOs de empresas brasileiras em anos. É que nenhuma companhia nacional estreia na bolsa desde o final de 2021.

📅 O último IPO foi o do Nubank, que abriu o capital nos Estados Unidos em dezembro de 2021. Já na B3, o último evento desse tipo ocorreu em setembro de 2021, com a Vittia (VITT3).

A B3, no entanto, espera que este jejum acabe neste ano de 2026. Afinal, a bolsa vive um bom momento, com a retomada do apetite ao risco do investidor estrangeiro. E a possibilidade de queda da taxa Selic pode dar um fôlego extra aos ativos de renda variável.

Além disso, algumas empresas já confirmaram o interesse em abrir o capital. A BRK Ambiental, por exemplo, já até apresentou um pedido de IPO à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no final de 2025.

A Aegea também estaria se movimentando nesse sentido. E a B3 estima que 54 companhias estão prontas para o IPO, apenas aguardando um bom momento para isso.

O Agibank

O Agibank se diferencia das demais fintechs brasileiras por um modelo de negócio híbrido, que combina uma plataforma digital a uma rede física de Smart Hubs que presta assistência aos clientes.

💲 Dessa forma, o banco oferece contas digitais, cartão de crédito, seguros e crédito, com foco sobretudo no crédito consignado.

O Agibank contava com 6,4 milhões de clientes ativos e uma carteira de crédito de R$ 33,8 bilhões ao final do terceiro trimestre de 2025. 

Além disso, entregou um lucro líquido de R$ 875,5 milhões e um ROAE (Retorno sobre Patrimônio Médio) de 40,9% no período.

Ao longo de 2025, o negócio também teve o seu rating elevado pelas principais agências de classificação de risco do mercado. 

A S&P, por exemplo, elevou o rating para brAA-, com perspectiva estável, em novembro, citando a expansão consistente, a melhora na rentabilidade, o foco estratégico no core business e a gestão prudente de risco e capital do banco.

⚠️ Em dezembro, no entanto, o negócio teve um revés em uma das suas principais frentes de negócio: a concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O INSS suspendeu novos empréstimos, após a descoberta de uma "série de irregularidades e práticas lesivas aos beneficiários". Como exemplo dos problemas, citou uma "quantidade significativa" de contratos firmados sem o consentimento expresso dos beneficiários, além de empréstimos assinados após a data do óbito dos beneficiários.

O Agibank, contudo, firmou um termo de compromisso com o INSS e, com isso, poderá voltar a atuar no mercado de crédito consignado. O acordo consta no Diário Oficial da União de terça-feira (13).