Não é que as taxas praticadas no
Tesouro Direto voltaram a recuar com intensidade nesta segunda-feira (23), destravando lucros na marcação a mercado de até +2%, sobretudo nos títulos públicos com maior prazo de vencimento.
Afinal de contas, quando as taxas caem na
renda fixa do governo, o patrimônio de quem emprestou dinheiro aos cofres públicos se valoriza como compensação a tamanha variação das taxas ao longo do caminho.
No caso, o
Tesouro Renda+ 2065 viu o seu preço unitário saltar de R$ 188,97 na última sexta-feira (20) para os atuais R$ 192,36 — culminando no ganho de +1,79% em apenas um pregão. Por sua vez, a remuneração do título público cedeu de IPCA+ 6,96% ao ano para IPCA+ 6,92% ao ano.
Outros títulos da renda fixa brasileira com vencimento no longo prazo também apresentaram lucros relevantes no mesmo intervalo de tempo, como o
Tesouro IPCA+ 2040, que se apreciou +1,12% ao ver sua remuneração contrair de
IPCA+ 7,20% ao ano para
IPCA+ 7,12% ao ano.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da corretora Ativa Investimentos, a dinâmica dos investimentos no Tesouro Direto daqui em diante passa a incorporar cada vez mais a guinada do Banco Central na condução da política monetária.
"O ciclo de afrouxamento da
taxa Selic começa em março com um corte de 50 pontos-base (de 15% para 14,50%), e a palavra serenidade do comunicado do Copom sugere que esse será o ritmo mínimo da jornada", avalia o especialista.