Tarifaço de Trump entra em vigor neste sábado (5): Veja impactos para o Brasil

Brasil recebeu a tarifa mínima de 10%. Logo, analistas projetam prejuízos, mas também oportunidades para os exportadores.

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Publicado em 05/04/2025 às 11:19h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 05/04/2025 às 11:19h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Com tarifas, Trump quer estimular indústria americana (Imagem: Shutterstock)

As “tarifas recíprocas” anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começam a entrar em vigor neste sábado (5), com a cobrança de uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações americanas.

💲 Trump impôs na última quarta-feira (2) tarifas sobre as importações de 185 países e territórios, com a promessa de proteger a indústria americana de "práticas desleais" de mercado e, assim, estimular a produção e a geração de empregos local.

As taxas variam de 10% a 50%. Países como Brasil, Chile e Austrália, por exemplo, serão tarifados em 10%. Já a China recebeu uma taxa de 34%. E o Lesoto levou 50%. Contudo, uma tarifa mínima de 10% começa a ser cobrada de todos países neste sábado (5). As taxas adicionais entram em vigor na próxima quarta-feira (9).

O tarifaço de Trump vem despertando reações de diversos países. A China, por exemplo, já respondeu com uma taxa da mesma magnitude (34%) contra os produtos americanos. A União Europeia também prepara uma retaliação. E o Brasil não descarta essa possibilidade, apesar de tentar uma solução negociada neste primeiro momento.

A possibilidade de uma guerra comercial lançou uma onda de incertezas sobre as perspectivas de crescimento da economia mundial, derrubando os mercados. As bolsas americanas, por exemplo, recuaram até 10% no acumulado da semana. Já o Ibovespa teve um recuo menor, de 3,5%, com os investidores calculando os possíveis impactos do tarifaço para a economia brasileira.

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Como o tarifaço deve afetar a economia brasileira?

📊 Entre investidores, analistas e economistas, a avaliação geral é de que a tarifa de 10% anunciada por Trump deve impactar as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Contudo, também espera-se que o Brasil possa se beneficiar de uma reorganização do comércio internacional, já que o país recebeu uma tarifa menor do que a de países como Vietnã (46%), Índia (26%) e Coreia do Sul (25%).

Em relatório, o BTG Pactual explicou que os produtos brasileiros vão sofrer uma “perda de competitividade em comparação aos produtos americanos, que não enfrentam a tarifa”. Contudo, podem se tornar relativamente mais competitivos do que os de países mais tarifados, potencialmente ampliando sua presença no mercado norte-americano.

“De fato, espera-se que as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuam em termos absolutos, à medida que alguns produtos exportados possam ser substituídos por alternativas produzidas nos Estados Unidos. [...] Porém, do ponto de vista macroeconômico, o impacto deve ser limitado”, reforçou a XP.

Os setores mais afetados

🏭 De acordo com os analistas, o maior impacto será nos setores mais expostos à economia americana. Entre eles, produtos de ferro e aço, aeronaves, motores e máquinas, materiais de construção, minerais não metálicos, madeira e derivados.

Para o BTG, também devem ser considerados efeitos para as exportações de etanol, café, produtos químicos, petróleo e derivados, autopeças e carnes. “Para esses setores, haverá alguma perda de competitividade em comparação aos produtos americanos, que não enfrentam a tarifa”, explicou.

Os analistas do banco ainda alertaram para o risco de que uma guerra comercial prejudique a atividade econômica da China, o principal parceiro comercial do Brasil. “Isso poderia resultar em menor demanda chinesa pelos produtos brasileiros e em redução significativa dos preços das commodities”, pontuaram.

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E os setores que podem se beneficiar

Por outro lado, há uma expectativa de que outros produtos brasileiros se tornem mais competitivos no mercado americano, caso os seus principais fornecedores tenham recebido uma tarifa superior aos 10% aplicados ao Brasil.

“Embora os produtos brasileiros percam competitividade relativa em relação aos fabricados nos EUA, o aumento mais agressivo das tarifas para outros países pode beneficiar determinados setores brasileiros por efeito de substituição comercial”, observou o BTG.

Para os analistas do banco, “setores de commodities, em particular agrícolas e metálicas, também podem aproveitar oportunidades se absorverem mercados que os EUA eventualmente percam por sofrerem retaliações de parceiros comerciais”.

A XP acrescentou que a China também pode aumentar a demanda pelos grãos brasileiros, caso reduza as importações dos Estados Unidos, o que poderia beneficiar empresas como SLC Agrícola (SLCE3), BrasilAgro (AGRO3) e Rumo (RAIL3). A casa ainda lembrou que as empresas brasileiras que têm operação em solo americano serão menos afetadas por essas tarifas, caso da Gerdau (GGBR4).