A possibilidade foi admitida pela própria empresa, em um fato relevante divulgado nessa quarta-feira (4) com o intuito de esclarecer os planos de reestruturação financeira que estão em análise na companhia e seus controladores.
Segundo a Raízen, a ideia é implementar uma "solução abrangente e definitiva para o fortalecimento de sua estrutura de capital".
Por isso, o plano deve envolver uma injeção de capital dos seus controladores, mas também medidas de reestruturação do endividamento financeiro da companhia.
O plano da Raízen
Shell e Cosan vinham discutindo já há algumas semanas a possibilidade de capitalizar a Raízen, mas teriam abandonado as negociações após não conseguirem chegar a um acordo, segundo a "Bloomberg".
A Raízen disse, contudo, que ainda está em análise uma proposta que prevê o aporte de R$ 4 bilhões na empresa, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, o fundador da Cosan.
A proposta também inclui uma reestruturação mais ampla da dívida da companhia, o que pode envolver a conversão de parte do endividamento em capital, com o alongamento do saldo remanescente da dívida, e a continuidade do processo de simplificação dos seus negócios, por meio da venda de ativos não estratégicos.
"A Companhia pretende assegurar um ambiente protegido e ordenado que permita a condução de discussões com seus credores financeiros e a busca de uma solução consensual, a ser eventualmente implementada por meio de uma Recuperação Extrajudicial, se necessária", acrescentou a Raízen.
A declaração marca uma mudança significativa nos planos da empresa. Afinal, a Raízen havia descartado a possibilidade de reestruturar a sua dívida ou pedir recuperação judicial ou extrajudicial há menos de seis meses.
A mudança ocorre diante da demora nas negociações entre Shell e Cosan, mas também devido à piora da situação financeira da empresa.
A situação da Raízen
Apesar dessa situação, a Raízen garantiu nessa quarta-feira (4) que "continuará operando normalmente" e disse que as medidas de reestruturação em análise "não impactarão seus clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, essenciais para a sua operação".