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Raízen (RAIZ4) perdeu o grau de investimento nas três grandes agências de classificação de risco do mundo.
⚠️ Fitch, S&P e Moody's cortaram a nota de crédito da Raízen na segunda-feira (9), em meio a temores de uma reestruturação da dívida ou até de um calote da companhia brasileira.
O rebaixamento foi anunciado depois que a empresa decidiu
contratar assessores financeiros e legais para auxiliar na avaliação de alternativas econômico-financeiras que possam colocar suas contas em ordem.
A Raízen sofre com um alto grau de endividamento e dificuldades operacionais, como safras abaixo do esperado e queima de caixa.
Para reverter essa situação, a empresa vinha vendendo ativos e não descartava uma capitalização por parte dos seus controladores -
Cosan (CSAN3) e
Shell (SHEL)- ou até de um novo sócio.
Outras possibilidades, no entanto, podem vir à tona agora que a companhia está trabalhando junto com assessores para reorganizar suas contas.
As agências de classificação de risco dizem, por exemplo, que a medida deixa a empresa mais próxima de uma reestruturação, o que justificou o corte dos ratings nessa segunda-feira (9).
Fitch vê possibilidade real de inadimplência
📉 A Fitch rebaixou a nota de crédito da Raízen duas vezes só nessa segunda-feira (9), em meio ao aumento da desconfiança em relação à situação financeira da empresa.
Primeiro, a agência cortou o rating de BBB- para B citando a "falha dos acionistas em realizar um aporte de capital relevante", além de um desempenho operacional mais fraco do que o esperado e uma posição de liquidez mais desafiadora.
Depois, o rating foi de B para CCC-, devido à decisão da empresa de contratar assessores para auxiliar na busca de alternativas estratégicas para reforçar a liquidez, otimizar a estrutura de capital e melhorar a interação com o mercado.
"Neste momento, as classificações na categoria ‘CCC’ refletem um risco de crédito substancial, e uma inadimplência ou um processo semelhante a inadimplência são possibilidades reais após as ações adotadas pela empresa e por seus acionistas", alertou a Fitch.
S&P reforça temor de calote
🚨 A S&P também avalia que a contratação de assessores aumenta o risco de reestruturação de dívida, o que a agência trata como default. Ou seja, como calote.
"O fato relevante anunciado hoje indica a possibilidade da Raízen reestruturar sua dívida nas próximas semanas, em meio a demora nos processos de venda de ativos e à previamente anunciada intenção de capitalizar a empresa", afirmou.
A S&P explicou que a Raízen seguiu queimando caixa enquanto tentava se capitalizar e também não conta com perspectivas positivas no lado operacional, já que os preços de
açúcar estão nos menores patamares desde 2021 e os volumes produzidos diminuíram, sobretudo após a venda de ativos.
"A liquidez não é um risco iminente, com nossa expectativa de caixa de R$ 15 bilhões para servir uma dívida de curto prazo de R$ 8 bilhões ao final de 2025/2026; porém, o consumo de caixa é recorrente, e nada indica uma recuperação expressiva das operações da companhia", acrescentou.
Diante dessa avaliação, a S&P rebaixou o rating da Raízen de brAA+ para brCCC+ e colocou uma observação negativa, que reflete a possibilidade de um novo rebaixamento caso a empresa opte por uma reestruturação da dívida.
Moody's não vê melhora no curto prazo
📊 Na esteira da contratação dos assessores, a Moody's também disse que era preciso incorporar na nota de crédito da Raízen o risco de uma transação de dívida. Por isso, cortou o rating da empresa de Ba1 para Caa1.
A agência citou o elevado grau de endividamento, o desempenho operacional mais fraco e a incerteza quanto à capitalização da Raízen.
Além disso, avisou que não vê uma recuperação significativa no curto prazo, já que "o atual nível de endividamento continua a impor restrições significativas aos negócios, desafiando a capacidade da Raizen de sustentar a geração de caixa positiva".
O que diz a Raízen
A Raízen selecionou na segunda-feira (9) a Rothschild & Co como assessora financeira e os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais.
Os assessores já "iniciaram a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, em linha com as melhores práticas de governança e de mercado".
A Raízen ressaltou, contudo, que "tais avaliações não implicam, até o momento, na celebração de compromisso vinculante relacionado a eventual transação ou operação específica".
Além disso, reforçou o seu "compromisso com a continuidade regular de suas atividades, reconhecendo a relação com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios como essenciais para a sua operação".