Diante da crescente preocupação dos analistas com a situação financeira da
Raízen (RAIZ4), a companhia decidiu sair oficialmente em busca de uma forma de reforçar a sua liquidez e, assim, melhorar a relação com o mercado.
⚠️ A companhia já vinha avaliando alternativas para a redução do seu endividamento há algum tempo, mas agora decidiu fortalecer essa tarefa com apoio técnico e legal.
Em comunicado publicado nesta segunda-feira (9), a Raízen disse que iniciou o processo de contratação de assessores financeiros e legais para auxiliar na elaboração de um "diagnóstico de opções estratégicas voltadas ao fortalecimento de sua posição de liquidez, à otimização de sua estrutura de capital e à sua interação com o mercado".
Contudo, ressaltou que "os trabalhos possuem caráter preliminar e exploratório e não implicam, até o momento, na celebração de compromisso vinculante relacionado a eventual transação ou operação específica, a ser oportunamente considerada e deliberada pelos órgãos competentes da companhia".
O que aconteceu?
🔎 Os assessores foram chamados depois de um aumento da desconfiança do mercado em relação às contas da Raízen, o que ampliou a venda de títulos e ações da empresa.
O temor cresceu depois que a
Cosan (CSAN3) -a controladora da Raízen junto com a
Shell (SHEL)- anunciar na semana passada o resgate antecipado de títulos da Raízen com vencimento em 2030 em 2031.
O resgate foi visto por agentes do mercado como um sinal de que a Cosan pode não cobrir um eventual déficit da Raízen, elevando o risco de calote e de recuperação judicial da produtora de açúcar e etanol.
Operações continuam
Ao anunciar a contratação dos assessores, a Raízen reforçou o "compromisso com a continuidade regular de suas atividades, reconhecendo a relação com seus clientes, fornecedores e parceiros de negócios como essenciais para a sua operação".
🌾 Além de ter o seu endividamento pressionado pelos juros altos, a Raízen vem sofrendo com safras abaixo do esperado.
No terceiro trimestre da safra 2025/2026, por exemplo, a
moagem de cana caiu 23%. O resultado financeiro do período será divulgado na próxima quinta-feira (12), após o fechamento do mercado.
Para a XP, será mais um trimestre de receitas em queda e alavancagem em alta para a Raízen, apesar de uma possível recuperação da unidade de distribuição de combustíveis.
"Nos últimos anos, a tese de Raízen tornou-se cada vez mais complexa e, em nossa visão, mais arriscada. No curto prazo, continuamos a projetar queima de caixa e um consequente aumento da alavancagem, mesmo após as iniciativas positivas de reciclagem de portfólio", avalia a casa.
Penny stocks
📉 Diante dessa avaliação, a XP cortou a recomendação para as ações da Raízen de compra para neutra na semana passada, com um preço-alvo de R$ 1,10.
As ações da produtora de açúcar e etanol são negociadas abaixo de R$ 1 na B3 desde outubro de 2025, devido às preocupações com o endividamento da empresa.
O papel só deixou o grupo das chamadas penny stocks nos últimos três pregões de janeiro de 2026, por causa da
perspectiva de queda da Selic e de rumores sobre um possível aumento de capital.
Contudo, voltou a ser negociada por centavos nos últimos dias e seguia operando forma volátil nesta segunda-feira (9), perto dos R$ 0,84.