O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (19) que ficou "triste" com o tamanho do corte da
Selic.
🗣️ "Eu poderia estar feliz aqui hoje, mas estou triste. Eu esperava que o nosso Banco Central baixasse a taxa de juros em ao menos 0,50 ponto, mas baixou apenas 0,25 ponto por causa da guerra... Essa guerra até no Banco Central?", disse Lula.
O
Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros pela primeira vez em quase dois anos nessa quarta-feira (18), derrubando a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano.
Antes do conflito no Oriente Médio, a expectativa era de que o ciclo de corte de juros começasse de forma mais agressiva, com a Selic caindo para 14,50% e não 14,75%.
Porém, o corte de 0,50 ponto percentual foi descartado diante do impacto da guerra nos preços do
petróleo, que levou à alta do
diesel, ameaça o preço de outros produtos e renovou os temores de uma greve
caminhoneiros no Brasil.
Combustíveis
Diante desse cenário, Lula disse nesta quinta-feira (19) que "todos estão fazendo sacrifícios" por causa da guerra.
⛽ Ele lembrou que o governo federal anunciou uma série de
medidas para tentar aliviar o reajuste dos combustíveis e agora tenta convencer os governadores a fazer o mesmo.
Segundo Lula, a União está disposta a cobrir metade das perdas de arrecadação que os estados teriam caso reduzissem o ICMS dos combustíveis.
"Vamos ver se eles vão fazer, porque nós temos que fazer o sacrifício para tentar evitar que essa guerra do Irã chegue ao prato de feijão com arroz ao prato do povo brasileiro", disse.
Lula ainda voltou a criticar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar o Irã e, assim, afetar os preços do petróleo no mundo inteiro.
Segundo ele, o mundo precisa de paz e não pode ficar à mercê de alguém que acha que "é o dono do mundo".
O que esperar dos juros?
🏦 Diante dessas incertezas, o
Copom preferiu não traçar uma rota para a Selic, apesar de indicar que gostaria de acelerar o ritmo de corte de juros.
Segundo o comitê, o rumo da Selic vai depender dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, sobretudo da profundidade e da duração da guerra, assim como dos seus efeitos sobre os preços.
Ainda assim, o mercado avalia que, caso não haja grandes mudanças no cenário, um novo corte juros parece o caminho mais provável para a próxima reunião do Copom, marcada para abril.
A dúvida é se será um novo ajuste de 0,25 ponto percentual, que levaria a Selic para 14,50%, ou um corte mais robusto, de 0,50 ponto percentual, que colocaria os juros em 14,25%.