🚨 Sempre que o
Bitcoin (BTC) entra em correção mais forte, a história se repete. O preço recua, a volatilidade aumenta e surge alguém disposto a decretar o fim definitivo da maior criptomoeda do mundo.
A narrativa não é nova: o Bitcoin “morre” em praticamente todo ciclo de baixa, apenas para ressurgir quando o mercado vira.
Desta vez, quem assumiu o papel de arauto do pessimismo foi Michael Burry, gestor que ganhou fama ao antecipar a crise imobiliária de 2008.
Segundo ele, a criptomoeda pode estar caminhando para uma “death spiral”, ou espiral da morte — um processo típico de ativos excessivamente alavancados e altamente dependentes de confiança.
A declaração veio após o BTC romper para baixo o patamar de US$ 67 mil, atingindo o menor nível desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Bastou a frase curta de Burry para incendiar redes sociais, fóruns e mesas de operação, reacendendo um debate antigo.
O que explica a queda recente do BTC
Antes de qualquer obituário, é preciso entender o pano de fundo. A queda do bitcoin não aconteceu no vácuo. Ela ocorre em um ambiente global marcado por maior aversão a risco, juros elevados por mais tempo e dólar fortalecido, uma combinação tradicionalmente negativa para ativos voláteis.
O mercado vem ajustando expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos. A percepção de que o Federal Reserve pode manter os juros altos por um período prolongado reduz a liquidez global e pressiona ativos que se beneficiaram, nos últimos anos, de capital barato e abundante.
No caso específico do bitcoin, fatores internos amplificaram o movimento de queda. Entre eles estão liquidações em cascata de posições alavancadas, realização de lucros após altas expressivas e aumento da volatilidade no mercado de derivativos.
Quando o preço começa a cair, esses mecanismos funcionam como um acelerador, independentemente de mudanças estruturais no ativo.
A tal “espiral da morte”
Ao falar em “espiral da morte”, o gestor descreve um processo clássico dos mercados financeiros: queda de preços gera perda de confiança, que leva a liquidações forçadas, pressionando ainda mais as cotações e o ciclo se retroalimenta.
No universo cripto, o risco apontado estaria ligado à crescente participação de investidores institucionais, fundos, ETFs e ao uso intenso de alavancagem. Em um cenário de estresse prolongado, saídas simultâneas de capital poderiam aprofundar a correção e gerar um efeito dominó no curto prazo.
“Cenários preocupantes agora entraram no campo do possível”, escreveu Burry. Ainda assim, o próprio gestor reconhece que o mercado cripto é pequeno demais para provocar um colapso sistêmico semelhante ao de 2008. Ou seja, o alerta é direcionado ao preço e à dinâmica do ativo, não a uma crise financeira global.
O cemitério do bitcoin
Se a história serve de guia, o bitcoin já sobreviveu a previsões muito parecidas. Desde 2011, a criptomoeda foi declarada “morta” mais de 460 vezes, segundo levantamentos feito pelo Bitcoin Is Dead.
Crises regulatórias, quedas de 80%, falências de corretoras e ciclos prolongados de baixa já fizeram parte do roteiro e, ainda assim, o ativo seguiu adiante.
☠️ O desconforto vem do fato de ele não se encaixar perfeitamente em nenhuma categoria tradicional, não é ação, não é moeda estatal, não é empresa.