A prévia da inflação oficial brasileira acelerou 0,84% em fevereiro, pressionada pelos reajustes das mensalidades escolares e pelas despesas com transportes.
📈 O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) foi divulgado nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,57% do indicador.
O resultado foi o maior dos 12 últimos meses, perdendo apenas para o IPCA-15 de fevereiro do ano passado, que marcou 1,23%. Em janeiro, por exemplo, a prévia da inflação havia subido apenas 0,20%.
Ainda assim, o IPCA-15 acumulado em 12 meses recuou de 4,50% para 4,10%, ficando dentro da meta perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.
Impacto na Selic
Apesar da surpresa com a alta dos preços em fevereiro, a Ativa Investimentos acredita que "o resultado não altera de forma relevante os planos previamente estabelecidos para a condução da política monetária".
🏦 O
Copom (Comitê de Política Monetária) indicou que pretende começar a cortar a
taxa Selic na sua próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de março. Afinal, a inflação e a expectativa de inflação vinham desacelerando nos últimos meses.
Por isso, o mercado acredita que a taxa básica de juros cairá dos atuais 15% para 14,50% em março e chegará a 12,13% até o final de 2026, segundo o
Boletim Focus.
O que pesou no IPCA-15?
De acordo com o IBGE, a prévia da inflação foi pressionada sobretudo pelos gastos com educação e transportes em fevereiro.
📖 As despesas com educação subiram 5,20% por causa dos reajustes das mensalidades escolares, aplicados tradicionalmente no início do ano letivo. O aumento foi de 8,19% no ensino médio e de 8,07% no ensino fundamental. Já na pré-escola ficou em 7,49%.
Os transportes pesaram devido ao aumento de 11,64% das passagens aéreas e de 1,38% dos combustíveis, além dos reajustes do ônibus urbano e do metrô.
As despesas com saúde e cuidados pessoais também subiram, pressionadas pelos artigos de higiene pessoal (0,91%) e pelo plano de saúde (0,49%).
💡 Por outro lado, os alimentos e a conta de luz ajudaram a conter a inflação.
A alimentação no domicílio subiu apenas 0,09%, desacelerando em relação à alta de 0,21% observada em janeiro.
O resultado reflete a queda de preços de itens como arroz (-2,47%), frango em pedaços (-1,55%) e frutas (-1,33%) e só não foi menor devido à alta do tomate (10,09%) e das carnes (0,76%).
Já as despesas com energia elétrica recuaram 1,37% no mês com a manutenção da bandeira tarifária verde, que não representa um custo adicional para os consumidores.
Veja como os grupos do IPCA-15 se comportaram em fevereiro:
- Educação: 5,20%;
- Transportes: 1,72%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,67%;
- Comunicação: 0,39%;
- Artigos de residência: 0,21%;
- Despesas pessoais: 0,20%;
- Alimentação e bebidas: 0,20%;
- Habitação: 0,06%;
- Vestuário: -0,42%.