🚨 O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou de forma mais acentuada do que o previsto no quarto trimestre de 2025.
O
PIB (Produto Interno Bruto) americano cresceu a uma taxa anualizada de 0,7% no período, revisão expressiva para baixo em relação aos 1,4% divulgados na estimativa inicial, segundo o BEA (Escritório de Análises Econômicas) do Departamento de Comércio, em sua segunda leitura do indicador, divulgada nesta sexta-feira (13). Economistas consultados pelo mercado não esperavam revisão no dado.
O resultado representa uma queda brusca de ritmo frente aos 4,4% registrados no terceiro trimestre de 2025, sinalizando uma perda de tração relevante na maior economia do mundo no encerramento do ano passado.
Gastos, investimentos e paralisação do governo explicam a revisão
A deterioração do PIB no quarto trimestre reflete uma combinação de fatores internos. O consumo das famílias, principal motor da economia americana, foi revisado para baixo, assim como os investimentos das empresas, indicando uma postura mais cautelosa do setor privado no período.
Do lado fiscal, a redução dos gastos do governo também pesou sobre o crescimento. A paralisação do governo federal por 43 dias, maior já registrada na história do país, comprometeu a atividade econômica ao longo do trimestre, afetando tanto a prestação de serviços públicos quanto o fluxo de pagamentos a fornecedores e funcionários.
O crescimento das exportações, que poderia ter compensado parte da desaceleração, também ficou abaixo do esperado, limitando a contribuição do setor externo para o PIB do período.
De onde veio e para onde vai a economia americana
O dado do quarto trimestre encerra um ano de desempenho desigual para a economia dos EUA. Após a expansão robusta de 4,4% no terceiro trimestre, sustentada pelo consumo e pelo mercado de trabalho aquecido, o quarto trimestre reverteu o otimismo e revelou fragilidades que vinham sendo subestimadas pelo mercado.
No acumulado de 2025, a economia americana ainda registrou crescimento positivo, mas a tendência de desaceleração no segundo semestre levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do ciclo de expansão nos próximos trimestres.
O mercado de trabalho, que havia sustentado o consumo ao longo do ano, também deu sinais de enfraquecimento recente. O payroll de fevereiro, divulgado na semana passada, apontou corte de 92 mil vagas, bem abaixo da expectativa de criação de 55 mil postos, enquanto a taxa de desemprego subiu de 4,3% para 4,4%.
Guerra no Irã adiciona nova camada de incerteza para 2026
Embora economistas esperem alguma recuperação do crescimento no primeiro trimestre de 2026, o cenário geopolítico adiciona uma camada significativa de incerteza.
A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã elevou os preços do petróleo em mais de 30% em março, aumentando o risco de pressão inflacionária via energia e combustíveis.
O impacto nos preços já começa a aparecer nos dados. O CPI de fevereiro registrou alta de 0,3% no mês e 2,4% em 12 meses, dado que fez o mercado adiar as apostas de corte de juros pelo Fed (Federal Reserve) de julho para setembro.
Com a
inflação ainda acima da meta e a atividade econômica arrefecendo, o Fed enfrenta um dilema crescente, agir rápido demais no corte de juros pode reacelerar a inflação, enquanto esperar demais pode aprofundar a desaceleração.
📈 O PIB revisado do quarto trimestre adiciona pressão sobre o banco central americano e tende a manter o debate sobre a trajetória dos juros nos EUA no centro das atenções dos mercados globais nas próximas semanas.