Partido Novo e Zema protocolam pedido de impeachment de Alexandre de Moraes

As mensagens entre Moraes e Vorcaro motivaram o 10º pedido de impeachment de ministros do STF em 2026.

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Publicado em 09/03/2026 às 18:26h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 09/03/2026 às 18:26h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
O governador criticou o que chamou de "silêncio" do presidente Lula (Imagem: Shutterstock)
O governador criticou o que chamou de "silêncio" do presidente Lula (Imagem: Shutterstock)
🚨 O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protocolou nesta segunda-feira (9) pedido de impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. 
O documento é assinado pelo presidente do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, por deputados e senadores da legenda, com exceção do deputado Ricardo Salles (SP), e por correligionários como o ex-deputado Deltan Dallagnol.
O pedido tem como base mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que segundo o documento sugerem diálogos com Moraes sobre inquérito sigiloso tramitando na Justiça Federal de Brasília. 
Outras mensagens indicariam que Vorcaro consultou o ministro sobre a lista de convidados de um fórum jurídico realizado em Londres em abril de 2024, e que Moraes teria determinado o bloqueio do empresário Joesley Batista, da J&F, do evento.
Para manter o sigilo nas comunicações, o documento afirma que os dois usavam o recurso de visualização única.

O que o pedido acusa

O documento afirma que Moraes foi "desidioso no cumprimento do cargo" e procedeu "de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções", caracterizando crimes de responsabilidade passíveis de impeachment.
"Moraes agiu contrariamente ao que se espera de um integrante da Suprema Corte do País, exercendo a advocacia privada e ferindo o decoro, a honra e a dignidade do cargo, com a colocação prejudicial da imagem de toda a instituição da Suprema Corte, ao lhe pôr em descrédito perante a opinião pública", afirma o texto.
O pedido também imputa ao ministro as acusações de tráfico de influência, corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, além da contravenção do exercício ilegal da profissão. 
Em relação à esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, o documento afirma que os recursos obtidos por ela por meio de contrato com o Banco Master seriam "resultado e produto de lavagem ou ocultação de valores, em claro mecanismo de branqueamento de capital."
O partido pede ainda o afastamento cautelar de Moraes do cargo enquanto tramita o processo.

Zema critica silêncio de instituições

A jornalistas no Congresso, Zema afirmou que "esses envolvidos se julgam acima da lei, se julgam intocáveis" e que "está ficando muito ruim para o Poder Judiciário o que está acontecendo no Brasil." 
O governador criticou o que chamou de "silêncio" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), de associações de magistrados e de centros acadêmicos universitários. 
"Quem está calado é porque está concordando. Quem está omisso está achando que tudo o que está ocorrendo é normal", disse.

10º pedido de impeachment de ministro do STF em 2026

É o décimo pedido de impeachment de ministro do STF protocolado no Senado neste ano. Moraes já havia sido alvo de outro requerimento anterior, motivado pela revelação do jornal O Globo sobre o contrato do Master com o escritório de advocacia de sua esposa. 
Os outros oito pedidos têm como alvo o ministro Dias Toffoli, também com acusações sobre proximidade com Vorcaro.
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), anunciou que protocolará outro pedido ainda nesta semana.
⚖️ Segundo a legislação brasileira, pedidos de impeachment de ministros do STF são analisados pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinar a abertura ou não do processo.