Para pagar CDBs, Banco Master pode precisar vender ativos, diz jornal

Para honrar com pagamentos, instituição depende do pagamento de empréstimos concedidos

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Publicado em 04/04/2025 às 19:34h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 04/04/2025 às 19:34h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana
Banco Master está em negociações (Imagem: Divulgação)

Famoso pelas altas taxas de remuneração dos seus títulos privados, o Banco Master pode ter de vender seus ativos para honrar com os compromissos. Atualmente, a instituição mantém ao menos R$ 5 bilhões em CDB (Certificado de Depósito Bancário) circulando no mercado.

📱 De modo geral, até o fim deste ano, o banco tem vencimentos que passam de R$ 16 bilhões, conforme o último balanço divulgado. No entanto, para que a conta feche, o Master depende de R$ 7,6 bilhões que devem vir do pagamento de empréstimos concedidos e outros R$ 6,2 bilhões de títulos.

Isso mostra, portanto, que o caixa da instituição não é suficiente para pagar os compromissos e que há dependendo de um dinheiro que é incerto. Isso porque caso haja inadimplencia, as dívidas podem ser impactadas.

"A maioria dos bancos deixa os recursos voltados ao pagamento de obrigações em títulos públicos. Chama a atenção que o Master tenha pouco título público e muito Fidc (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) e fundos multimercado", disse Luis Miguel Santacreu, gerente de análise da Austin Rating, em entrevista à Folha de SP.

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O mesmo balanço mostrou que apenas R$ 200 milhões são mantidos em títulos públicos, enquanto R$ 3 bi estão em Fidcs e outros R$ 3,5 mi em multimercados.

A outra saída para o banco seria a captação de mais recursos no mercado, uma estratégia que já vem sendo feita há alguns anos, mas agora com taxas menores. A imagem que o Master ganhou foi justamente por pagar taxas mais atrativas que outros bancos, motivo pelo qual os investidores entraram no negócio.

Ações do BRB despencam

Se em um primeiro momento os investidores ficaram afoitos com o anúncio da compra do Master pelo BRB, essa euforia se desfez ao longo da semana. Nesta sexta-feira (4), os papeis do banco sediado em Brasília caíram mais de 15%.

Mesmo assim, no acumulado da semana, o avanço é bastante atrativo, de 57%, segundo dados da bolsa de valores. No pregão desta sexta, os papeis fecharam cotados em R$ 11, uma diferença de R$ 4 em relação ao valor anterior ao anúncio.