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Imagine que você fez a compra do mês, pagou com o cartão de crédito, quitou a fatura um mês depois, mas o supermercado que te vendeu ainda não recebeu o dinheiro. É exatamente isso que está acontecendo com os consumidores que tinham contas no Will Bank.
A associação que representa as empresas de cartão de crédito denuncia que os saldos pendentes não estão sendo pagos. Muitos desses valores já foram efetivamente pagos pelos consumidores, mas estão fora do fluxo tradicional de pagamentos.
“Estamos falando de recursos que já foram pagos pelos consumidores, mas que ainda não foram repassados para as credenciadoras e, assim, para os estabelecimentos comerciais, afetando diretamente milhares de empresas”, disse o vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo de Barros Vieira.
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O Will faz parte do grupo do Banco Master, que foi liquidado pelo BC no ano passado. A fintech, no entanto, ficou em um regime especial durante o período, até que também chegou ao mesmo fim, no mês passado.
Não há informações claras sobre o total que ainda está pendente para pagamento, mas a Abecs diz que é um “volume relevante” e define o cenário como “crítico”. Segundo a entidade, a continuidade do problema afeta a segurança do sistema financeiro brasileiro.
Os cartões emitidos pelo Will Bank traziam a bandeira da Mastercard, mas já fazia alguns anos que apresentavam problemas. Correntistas reclamavam que, ao usá-los em determinados comércios, a transação não era autorizada.
Os consumidores também estão sentindo na pele os efeitos da liquidação, já que parte deles teve os seus recursos bloqueados. A instituição afirma ter 12 milhões de clientes, sendo que a maioria está localizada na região Nordeste, onde o banco digital tinha forte atuação.
A grande diferença dessa liquidação para outras recentes é que a maior parte do dinheiro retido estava em contas correntes. Isto é, eram recursos que as pessoas usavam no dia a dia, como para as despesas básicas.
Ainda não há prazo para que os valores comecem a ser ressarcidos pelo Banco Central ou pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). As instituições aguardam a conclusão da lista de credores para começar os pagamentos.
O FGC chegou a antecipar uma parcela de R$ 1 mil em pagamento, o que teria beneficiado cerca de 6 milhões de pessoas. No entanto, o valor pode não ser suficiente para que as famílias cumpram seus compromissos.
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