A decisão do Banco Central, anunciada nesta quarta-feira (28), de
manter a Selic em 15% reforça um cenário de cautela na política monetária brasileira.
🤔 Com a inflação ainda acima da meta e a atividade econômica mostrando resiliência, o ambiente segue favorável para investimentos que se beneficiam de juros elevados.
Onde investir com a Selic em 15%
Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, a manutenção dos juros no Brasil é uma resposta direta ao comportamento da inflação e às preocupações fiscais. “Como a meta central é de 3%, o Banco Central precisa manter o remédio forte, juros alto, para evitar que os preços subam mais”, afirma.
💰 Segundo ele, enquanto o ciclo de cortes não começa, o que deve ocorrer apenas em março, o investidor brasileiro convive com juros reais elevados e pode aproveitar boas oportunidades sem elevar demais o risco. Patzlaff destaca os pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária, além de LCIs e LCAs, que são isentas de imposto de renda e podem ser mais vantajosas no curto prazo.
Para horizontes mais longos, ele aponta os títulos IPCA+, que ajudam a preservar o poder de compra, e também a possibilidade de alongar taxas prefixadas, desde que observados o limite do FGC e a qualidade dos emissores.
A expectativa do mercado para os próximos cortes
No cenário internacional, Patzlaff avalia que a decisão do Fed reflete uma economia americana que segue firme mesmo após os cortes realizados no fim de 2025. “O Fed já fez cortes no final de 2025 e agora quer observar o efeito desses cortes antes de dar o próximo passo”, explica.
Com os juros americanos mantidos entre 3,5% e 3,75%, ele vê espaço para investimentos em Treasury Bills, títulos públicos de curto prazo dos EUA, e em bonds de grandes empresas, equivalentes às debêntures no Brasil. Além disso, a sinalização de estabilidade nos juros tende a favorecer empresas de tecnologia, já que o custo de financiamento para inovação deixa de subir.
🤑 Já para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a decisão do Copom estava amplamente no radar do mercado.“A atividade econômica relativamente forte, e o mercado de trabalho ainda em condições de pouca ociosidade, combinado a uma inflação de serviços resiliente, reforçam essa visão”, afirma.
Perri projeta que o primeiro corte da Selic deve ocorrer apenas na reunião de abril e avalia que, mesmo após o início do ciclo de flexibilização, os pós-fixados devem continuar atrativos, já que o piso da taxa básica tende a permanecer elevado por um período prolongado, a depender da sinalização da política fiscal após as eleições.
Nos Estados Unidos, ele também espera manutenção no curto prazo, com possibilidade de retomada dos cortes entre abril e junho. Nesse contexto, o economista vê oportunidades na renda fixa americana, via fundos ou bonds com vencimentos intermediários, e destaca que, diante de mercados de risco já bastante valorizados, a exposição por meio de hedge funds pode ser uma alternativa tática interessante.