A indústria de
fundos de investimentos conseguiu angariar R$ 75,3 bilhões em janeiro de 2026, mesmo descontando quem preferiu resgatar o seu dinheiro das mãos dos gestores. Só os
fundos de renda fixa captaram R$ 57,4 bilhões, seu melhor resultado em 18 meses, conforme o boletim da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Ainda que uma taxa Selic pagando 15% ao ano esteja com os dias contados, os investidores ainda preferem os títulos públicos de curto prazo, já que 84% do dinheiro captado pelos
fundos de renda fixa no período foi parar em produtos do tipo duração baixa grau de investimento, em que 80% da carteira está aplicada no Tesouro Direto de curto prazo.
Já em termos de rentabilidade, os
fundos de renda fixa com duração livre e crédito livre, que mantêm mais de 20% da carteira alocada em títulos de médio e alto risco de crédito, se destacaram ao renderem
1,78% ao mês.
Outro dado que chamou atenção neste início de 2026 é a baita recuperação dos
fundos multimercados, que aplicam dinheiro tanto em
renda fixa quanto em
renda variável. A categoria abocanhou R$ 17,3 bilhões, o melhor resultado desde junho de 2021.
“Com a perspectiva de queda dos juros, os investidores começam a buscar diversificação nos
fundos multimercados, que, pela sua flexibilidade, são capazes de capturar oportunidades em diferentes classes de ativos e contextos econômicos”, explica Pedro Rudge, diretor da Anbima.
Por sua vez, os
fundos multimercados com estratégia long and short direcional — que operam posições compradas e vendidas em ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável — lideraram os ganhos, com rentabilidade de
2,30% ao mês.
Também apresentaram captação líquida positiva os
ETFs (fundos de índices listados em bolsa de valores) com entradas de R$ 3,4 bilhões. Porém, os
fundos de ações tiveram captação negativa de R$ 2,4 bilhões no mês passado.