📉 A Fictor Alimentos afundou na B3 depois do pedido de recuperação judicial da Fictor, tornando-se uma penny stock (ação que vale centavos). E, agora, perdeu a auditoria independente que cuidava das suas demonstrações financeiras, a UHY Bendoraytes & Cia Auditores.
A empresa de auditoria renunciou por entender que determinadas "circunstâncias supervenientes [...] impactam diretamente os pressupostos essenciais para a manutenção do relacionamento profissional e condições normativas indispensáveis à continuidade do trabalho, conforme estabelecido nas normas brasileiras de auditoria".
A UHY Bendoraytes & Cia Auditores também citou o processo de recuperação judicial da Fictor Holding ao deixar o cargo, segundo comunicado publicado nesta sexta-feira (20) pela Fictor Alimentos.
Resultados do 4T25
A companhia do ramo industrial disse, então, que "está envidando melhores esforços para seguir com a substituição dos auditores" e prometeu manter o mercado informado sobre o assunto, inclusive sobre os eventuais impactos no balanço.
Com uma atuação especializada em proteína animal e unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, a Fictor Alimentos teve um prejuízo de R$ 1,6 milhão no terceiro trimestre de 2025.
No acumulado dos nove primeiros meses do ano passado, o resultado foi negativo em R$ 2,9 milhões. O balanço foi apresentado sem nenhuma ressalva da auditoria.
Impacto nas ações
As ações da Fictor Alimentos já caíram quase 50% desde o pedido da recuperação judicial da sua controladora.
As perdas se ampliaram nesta sexta-feira (20), diante da renúncia da auditoria independente. Com isso, o papel já é negociado abaixo dos R$ 0,60.
Efeito Master
💲 O grupo Fictor pediu recuperação judicial em 1º de fevereiro, para tentar reestruturar o pagamento de aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas.
A medida abrange o braço financeiro do grupo, que inclui a Fictor Holding e a Fictor Invest. Porém, não inclui subsidiárias como a Fictor Alimentos.
De acordo com a empresa, o pedido recuperação judicial foi necessário devido à crise envolvendo o Banco Master.
O Fictor apresentou uma proposta para comprar o Master em conjunto com um consórcio de investidores árabes em novembro de 2025, um dia antes de a instituição ser liquidada pelo BC (Banco Central).
A proposta previa um aporte de R$ 3 bilhões para o fortalecimento da estrutura de capital do Master. Ainda assim, clientes do Fictor relataram atrasos no pagamento dos seus investimentos após esse episódio.
Ao pedir recuperação judicial, o grupo alegou que a sua reputação foi atingida por especulações negativas que atingiram "duramente" a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding depois da liquidação do Master, o que gerou os atrasos.