EUA e Brasil vão trabalhar juntos no combate ao crime organizado; entenda

Acordo começa mirando o envio de produtos ilícitos, como armas e drogas, entre os países.

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Publicado em 10/04/2026 às 15:47h Publicado em 10/04/2026 às 15:47h por Marina Barbosa
Parceria começa com a troca de informações sobre as cargas enviadas entre os países (Imagem: Shutterstock)
Parceria começa com a troca de informações sobre as cargas enviadas entre os países (Imagem: Shutterstock)
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos vão trabalhar juntos no combate ao crime organizado, como sugeriu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O acordo de cooperação foi firmado nesta sexta-feira (10) no Ministério da Fazenda, em Brasília, e começará atacando o intercâmbio de produtos ilícitos entre os dois países, como armas e drogas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a iniciativa como "um primeiro passo relevante, no sentido de avançar com a cooperação no combate ao crime organizado", dizendo que os americanos estão dispostos a continuar tratando do assunto com o Brasil. 
A cooperação foi proposta por Lula durante conversas com o presidente americano, Donald Trump, com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas, além de permitir o congelamento de ativos e o intercâmbio de dados sobre transações financeiras ligadas a grupos criminosos.
Tudo começou no final do ano passado, depois que uma operação da Receita Federal revelou um esquema de sonegação fiscal no setor de combustível brasileiro que envolve o Grupo Refit (RPMG3), do empresário Ricardo Magro, que mora nos Estados Unidos.
À época, Lula chegou a dizer que pediu a Trump a prisão do "maior devedor" e um "dos grandes chefes do crime organizado" do Brasil, que estaria em Miami.
Depois disso, também surgiram notícias de que os Estados Unidos poderiam colocar duas facções criminosas brasileiras na sua lista de grupos terroristas estrangeiros: o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
O ministro da Fazenda foi questionado se a questão das facções criminosas foi o estopim para o governo americano destravar a parceria no combate ao crime organizado. Porém, disse que o assunto não veio à tona na reunião realizada nesta sexta-feira (10) e creditou o avanço das negociações às conversas entre Lula e Trump.

Como vai funcionar a parceria?

Neste primeiro momento, a parceria envolve o compartilhamento de informações sobre as cargas que transitam entre os dois países, com o objetivo de interceptar remessas ilícitas de drogas e armamentos.
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, explicou que o governo apreendeu 1.562 kg de drogas que vinham dos Estados Unidos para o Brasil só no primeiro trimestre de 2026, um aumento expressivo em relação aos 89 kg de 2024.
Além disso, 550 kg de partes e peças de armas de origem americana ficaram retidos nos portos brasileiros nos últimos 12 meses.
Diante disso, o governo americano vai fazer uma espécie de "raio-x" dos contêineres que saem dos Estados Unidos com destino ao Brasil e enviar essas informações ao governo brasileiro.
Esses dados serão analisados pela Receita Federal e pela Polícia Federal para que eventuais produtos ilícitos sejam apreendidos nos portos.
Segundo a Receita Federal, os dados permitem identificar até métodos sofisticados de ocultação envolvendo armas de fogo e entorpecentes, inclusive drogas camufladas em embalagens de produtos comuns, como ração animal, enviadas por remessas postais.
Além disso, o governo vai enviar informações sobre materiais ilícitos encontrados em território brasileiro, para que as autoridades norte-americanas possam investigar a origem e reforçar a fiscalização.
Para o ministro da Fazenda, a parceria pode ajudar a combater o crime organizado e ainda reduzir a circulação de armamentos no Brasil, já que como boa parte das armas existentes no país tem origem americana.