Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro foi preso nessa quarta-feira (4) em uma operação da PF (Polícia Federal).
🚨 A prisão ocorre em meio ao avanço das investigações sobre as irregularidades envolvendo a instituição e foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo a PF, o objetivo dessa nova operação é investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por uma organização criminosa.
Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e de Minas Gerais.
Além de Vorcaro, foram alvos de mandados de prisão preventiva:
- Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro que é apontado como o operador financeiro do grupo criminoso liderado por Vorcaro;
- Felipe Mourão, que seria responsável por obter dados pessoais de autoridades, jornalistas e indivíduos de interesse da organização;
- Marilson Silva, policial aposentado que faria o monitoramento dessas pessoas e também era chamado para pressionar ou intimidar indivíduos que mantinham uma postura crítica ao grupo.
Vorcaro teria sido preso na sua residência, em São Paulo, e depois levado à Superintendência da Polícia Federal. Já Fabiano Zettel não foi encontrado pelos policiais, mas se apresentou à PF em São Paulo.
Servidores do BC são afastados
🏦 A nova operação da PF também cumpriu ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões.
Neste caso, o objetivo é interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Segundo a "TV Globo", a ordem de afastamento de cargos públicos mira dois servidores do BC (Banco Central): o ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana.
Os servidores já haviam sido afastados das suas funções de forma administrativa pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. E, agora, também foram afastados judicialmente. Eles são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Banco Master.
2ª prisão
Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, no dia em que o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero para apurar as fraudes financeiras envolvendo o banco.
Naquela ocasião, ele foi solto depois de alguns dias, mas com a condição de que usaria tornozeleira eletrônica e não poderia sair do município em que morava, nem falar com os demais investigados no caso Master.
A nova prisão ocorre no dia em que o Senado Federal esperava colher o depoimento de Daniel Vorcaro na CPI do Crime Organizado, devido à suspeita de novas irregularidades envolvendo Vorcaro.
Caso Master
Contudo, acabou sendo
liquidado pelo Banco Central, devido à "grave crise de liquidez" e ao "comprometimento significativo" da situação econômico-financeira da instituição, além da violação de normas do Sistema Financeira Nacional.
A
Operação Compliance Zero da Polícia Federal revelou que o Master emitia títulos de crédito falsos e vendia esses ativos para instituições como o
BRB (BSLI4). Uma segunda fase da operação também apurou o envolvimento de fundos de investimento no esquema, sobretudo de fundos ligados à
Reag Investimentos.
A terceira fase da operação, deflagrada nesta quarta-feira (3), revelou que, além de comandar fraudes financeiras através do Master, Vorcaro mantinha uma relação estreita com alguns servidores do Banco Central e chegou a planejar ações violentas contra pessoas que considerava adversários por meio de um grupo com os demais investigados no WhatsApp.
Na decisão de André Mendonça que autorizou o cumprimento dos mandados de prisão nesta quarta-feira (3), obtida pela "TV Globo", Vorcaro é apontado como o líder dessa organização criminosa.
Efeito Master no mercado
Com o desdobramento da crise envolvendo o Master, o BC também decretou a liquidação extrajudicial de outras instituições financeiras:
- o Banco Master de Investimento;
- o Banco Letsbank;
- a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários;
- a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a antiga Reag;
- o Will Bank, o banco digital do Master;
- o Banco Pleno e a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que pertenciam ao ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima.
Além disso, o BRB até hoje busca uma forma de se capitalizar para superar as perdas sofridas durante as transações com o Master e o grupo Fictor pediu recuperação judicial após tentar comprar a instituição de Daniel Vorcaro. O pedido inclui a
Fictor Alimentos (FICT3), listada na B3.