Não é que fortes lucros na marcação a mercado e taxas de remuneração bem menores voltaram a dar as caras no
Tesouro Direto nesta terça-feira (17), em dia de véspera de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (
Copom), que finalmente reduzirá a
taxa Selic do patamar de 15% ao ano.
Só que toda essa reviravolta na
renda fixa do governo acontece agora, justamente porque o Brasil está recomprando bilhões de reais de seus próprios títulos de dívidas emitidos no mercado, além de cancelar leilões de títulos prefixados e indexados à inflação (
IPCA+) nesta semana.
Para se ter uma ideia, o Tesouro Nacional, órgão responsável por gerir os cofres públicos, abocanhou de volta 25 milhões de
Tesouro Prefixado em leilão extraordinário na manhã do último dia 16 de março, além de recomprar 10 milhões de
Tesouro IPCA+ durante a tarde do mesmo dia.
Ou seja, em uma tocada só, o Brasil desembolsou R$ 12,1 bilhões na recompra de títulos de dívida prefixados de quatro vencimentos distintos (70% do lote que estava nas mãos de grandes bancos). Só nos títulos indexados ao IPCA+, o Tesouro Nacional empregou R$ 15,4 bilhões, recomprando papéis de cinco vencimentos diferentes, cerca de 35% do lote disponível.
E sabe qual foi o resultado prático disso no
Tesouro Direto hoje? Taxas desabando, caso do
Tesouro Renda+ 2065 que viu sua remuneração ceder de
IPCA+ 7,03% ao ano na véspera para os atuais
IPCA+ 6,83% ao ano. Em compensação, o seu preço unitário se valorizou ao redor de +5% só nas últimas 24 horas.
Para Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, o Brasil precisou agir sobre seus títulos de renda fixa agora, algo que não fazia desde 2024, como forma de diluir a forte disparada das taxas na curva futura de juros
por conta da guerra no Irã, que justificava a exigência de maiores juros compostos aos investidores no Tesouro Direto.
"Os títulos do tipo Tesouro IPCA+, em regra geral, abriram expressivamente ao longo de março, com um efeito médio de +46 pontos-base entre os dias 2 e 13 do mês. O maior impacto foi percebido nos vencimentos intermediários, entre 2028 e 2035, que abriram em média +63 pontos-base", destaca o especialista.
Só Tesouro Selic agora
Se não bastasse a recompra de dívida, o Brasil também cancelou os leilões de títulos de renda fixa que faria nesta semana com os papéis Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ ofertados a investidores institucionais (grandes bancos).
Dessa vez, apenas o leilão de títulos pós-fixados, o famoso
Tesouro Selic, foi mantido por ação do Tesouro Nacional, que conseguiu emprestado R$ 18,4 bilhões das mãos do mercado financeiro.
Inclusive, somente o
Tesouro Selic 2031 estava disponível para compra e venda na plataforma do Tesouro Direto a partir das 15h42 (horário de Brasília). Todos os demais títulos de renda fixa tiveram suas negociações suspensas temporariamente.
Isso porque as taxas e preços unitários dos títulos prefixados e indexados ao IPCA+ estavam oscilando significativamente. Assim que novos preços forem definidos para os títulos públicos ausentes, os mesmos voltarão a aparecer no Tesouro Direto.
Hoje, o Tesouro Nacional anuciou tanto a recompra de mais R$ 9,4 bilhões em títulos prefixados, quanto sinalizou que planeja reaver até 4 milhões de títulos indexados ao IPCA+, e emitir apenas 1,2 milhões de novos títulos de dívida.
- Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 185,23 (Rentabilidade: Selic + 0,0972% ao ano)