BNDES vende milhões de ações e reduz participação na Copel (CPLE3)

O BNDES já chegou a ser dono de 24% da Copel, mas agora mantém uma fatia inferior a 20%.

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Publicado em 11/03/2026 às 16:57h - Atualizado 10 horas atrás Publicado em 11/03/2026 às 16:57h Atualizado 10 horas atrás por Marina Barbosa
BNDES vendeu 62,3 milhões de ações da Copel (Imagem: Shutterstock)
BNDES vendeu 62,3 milhões de ações da Copel (Imagem: Shutterstock)
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) reduziu a sua participação na Copel (CPLE3).
O banco já chegou a ser dono de 24% da Copel e mantinha uma fatia de aproximadamente 22% até o início deste ano. Contudo, reduziu essa participação para 19,90% nas últimas semanas.
A exposição foi reduzida por meio da venda de 62,3 milhões de ações ordinárias da empresa na Bolsa, entre os dias 5 de fevereiro e 10 de março.
Em carta enviada à Copel nessa terça-feira (10), a BNDESPar (BNDES Participações) informou que o movimento não visa a alteração do controle acionário ou da estrutura administrativa da elétrica.
A subsidiária do BNDES ainda garantiu que não celebrou quaisquer contratos ou acordos que regulem o exercício de direito de voto ou a compra e venda de ativos da Copel.

BNDES quer investir em novos negócios

O BNDES mantém mais de R$ 80 bilhões em participações societárias em empresas como Copel, JBS (JBSS32), Petrobras (PETR4) e Axia (AXIA3), a antiga Eletrobras.
Contudo, já indicou a intenção de vender participações em companhias "consolidadas e maduras" para investir em novos setores e projetos, sobretudo à inovação e à economia verde.
Em junho do ano passado, o BNDES anunciou a intenção de investir R$ 10 bilhões em companhias com projetos e iniciativas voltadas à transição ecológica, descarbonização e inovação. 
O recurso seria obtido por meio da venda de participações ou pelo recebimento de dividendos das empresas já investidas.

BNDES x Copel

O BNDES investe na Copel há mais de 30 anos. Porém, nos últimos anos, mostrou desalinhamento com alguns planos da atual gestão da elétrica. 
O impasse ficou claro a partir da privatização da Companhia Paranaense de Energia, em 2023. E acabou adiando a migração da elétrica para o Novo Mercado da B3, o segmento de mais alto padrão corporativo da bolsa brasileira.
Em nota divulgada à época, o BNDES ressaltou que a privatização era "de responsabilidade do Governo do Paraná e da Assembleia Legislativa do Paraná e é anterior à posse da atual Diretoria do BNDES".
Além disso, pediu que a Copel engavetasse o plano de migração para o Novo Mercado, por entender que a medida diluiria os seus interesses econômicos e políticos na companhia.
Com isso, a migração só foi concluída no final de 2025, após a conversão das ações preferenciais da Copel em ações ordinárias.

Negócio milionário

A migração para o Novo Mercado impulsionou as ações da Copel na B3 nos últimos meses, garantindo que o BNDES pudesse vender os papeis a uma boa cotação neste início de 2026.
As ações ordinárias da Copel subiram cerca de 80% nos últimos 12 meses e foram negociadas por um preço médio de R$ 14,35 entre os dias 5 de fevereiro e 10 de março -o período em que o BNDES reduziu a sua participação na empresa.
Considerando esse valor, o BNDES pode ter arrecadado quase R$ 895 milhões com a venda de 62,3 milhões de ações da Copel.
O banco não informou os valores movimentados na operação ao comunicar a redução da sua participação na empresa, nessa terça-feira (10).
 
Porém, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, já disse que qualquer venda acionária seria feita "com muito cuidado", para garantir o melhor resultado para o banco.