Depois de alguns dias de sangria, o
Bitcoin (BTC) tenta se recuperar nesta sexta-feira (6).
🪙 A criptomoeda chegou a bater nos US$ 60 mil na madrugada, o que não acontecia desde setembro de 2024. Mas, depois disso, ensaiou uma reação.
O Bitcoin subia 10,65% e às 17h10 e, assim, ia tentando recuperar os US$ 70 mil. Na máxima do dia, bateu nos US$ 71,4 mil.
O que explica a alta?
Apesar da reação, analistas ainda recomendam cautela. Afinal, não houve uma mudança significativa no cenário que justificasse uma mudança de rumo da criptomoeda.
💸 O Bitcoin enfrenta uma pressão vendedora já algum tempo e aprofundou a queda nos últimos dias devido ao aumento da aversão ao risco nos mercados globais.
Os investidores voltaram-se para ativos defensivos diante das incertezas sobre a política monetária americana, as tensões geopolíticas e o temor de uma bolha de IA (Inteligência Artificial). E, na avaliação de analistas, esses fatores ainda podem pressionar as
criptomoedas por algum tempo, alastrando-se pelas empresas que apostam nesse mercado, como as
Bitcoin Treasuries.
"A recuperação do Bitcoin acima dos US$ 70 mil não deve ser lida como uma mudança estrutural de tendência, mas como um movimento técnico dentro de um mercado ainda em ajuste", afirmou o CEO da Onda Finance, Nildson Alves.
Segundo ele, o que aconteceu nesta sexta-feira (6) foi uma "recomposição pontual de posições, típica de ambientes de bear market, onde ralis de alívio coexistem com um pano de fundo ainda frágil".
"Esse tipo de reação costuma ocorrer quando parte do mercado entende que o preço se afastou momentaneamente dos fundamentos de curto prazo, mas isso não significa, necessariamente, uma reversão de ciclo", explicou, apontando os US$ 65 mil como uma barreira importante para o Bitcoin.
📊 Já o especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, Cristiano Luersen diz que "o Bitcoin não subiu sozinho. Ele acompanhou o otimismo dos mercados tradicionais nos Estados Unidos".
As bolsas americanas também tiveram uma sessão de ganhos nesta sexta-feira (6), tentando corrigir as perdas dos últimos dias, mas com o impulso adicional da melhora da confiança do consumidor. E isso deu mais coragem para o investidor médio voltar a comprar ativos de risco, segundo Luersen.
Para ele, a queda desta semana do Bitcoin serviu como uma espécie de "faxina", ao fazer com que os investidores que estavam muito alavancados desmontassem as suas posições, mas também abriu uma janela de oportunidade para quem foca no longo prazo e não no preço da próxima hora.
O que esperar depois do crash?
De toda forma, a avaliação dos analistas é de que o mercado de criptomoedas ainda está sujeito a grandes oscilações no curto prazo.
⚠️ Para o CEO da Onda Finance, "o comportamento do Bitcoin tende a ser marcado por volatilidade elevada, ralis técnicos e novas correções" até que os grandes investidores retomem o apetite por ativos de risco.
Ou seja, até que o cenário melhore e permita que o capital institucional volte a olhar para a cripto de forma definitiva.
"O fluxo de capital continua sendo o principal termômetro. Sem retomada consistente de inflows —especialmente via ETFs e instrumentos institucionais —qualquer alta tende a ser frágil e sujeita a reversões rápidas", acredita Nildson Alves.
Cristiano Luersen reconhece que ainda haverá volatilidade, embora considere que a retomada da marca dos US$ 70 mil é um sinal de resiliência da criptomoeda.
"Muitos grandes investidores compraram moedas quando o preço estava mais alto (perto de US$ 84 mil) e podem tentar vender agora para 'empatar' o jogo, o que pode impor uma resistência", explicou.
Saldo do ano ainda é negativo
Apesar da reação desta sexta-feira (6), o Bitcoin ainda acumula uma desvalorização de quase 20% em 2026.
📉 Se nada mudar no curto prazo, fevereiro será o quinto mês consecutivo de desvalorização do Bitcoin, algo raro na história da criptomoeda.
Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, o BTC só teve cinco meses seguidos de perdas em outras duas ocasiões:
- De dezembro de 2013 a abril de 2014, após o primeiro grande ciclo especulativo do ativo;
- De agosto a dezembro de 2018, o chamado "inverno cripto" após a bolha de 2017.
"O movimento atual coloca o Bitcoin novamente em um padrão típico de fases de ajuste profundo de preços, geralmente associadas a momentos de desalavancagem, reprecificação de expectativas e redução do apetite ao risco global", comentou o CEO da Elos Ayta Consultoria, Einar Rivero.
Rivero lembra, no entanto, que "o Bitcoin é um ativo de extremos, capaz de entregar perdas profundas, mas também valorizações difíceis de encontrar em outros mercados". E Alves acrescenta que os ciclos de baixa da criptomoeda parecem estar se encurtando ao longo do tempo, o que adiciona incertezas aos próximos movimentos do Bitcoin.