O BC (Banco Central) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial de uma mais uma instituição financeira ligada ao Banco Master: a Will Financeira.
🏦 A financeira é conhecida como Will Bank, o banco digital do Master, e oferecia cartões, conta digital, empréstimos e seguros para mais de 9 milhões de clientes. Mas, com a liquidação, deixa de funcionar.
Segundo o BC, a liquidação foi "inevitável" em razão do "comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial".
Já estava em regime especial
O Banco Central decretou a
liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, devido à "grave crise de liquidez" e ao "comprometimento significativo" da situação econômico-financeira da instituição, além da violação de normas do Sistema Financeira Nacional.
Na ocasião, outras três instituições do conglomerado Master foram liquidadas: o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Já o Banco Master Múltiplo S/A, que controla a Will Financeira, havia sido colocada sob o Regime de Administração Especial Temporária, conhecido como RAET.
O RAET buscava reorganizar a instituição, mediante o afastamento dos administradores e a nomeação de um administrador especial temporário. Ou seja, buscava uma solução que preservasse o funcionamento da Will Financeira.
Após dois meses desse regime especial de administração, no entanto, o BC concluiu que tal solução "não se mostrou viável".
Dívida com a Mastercard foi o estopim
🔎 Ao decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira nesta quarta-feira (21), o BC explicou que a Will Financeira descumpriu suas obrigações financeiras com a
Mastercard (MSCD34). Por isso, os cartões do Will Bank foram bloqueados do sistema de pagamentos da Mastercard na última segunda-feira (19).
Em nota, o BC disse ainda que "continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais" e lembrou que "o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis".
FGC deve entrar em cena
Com a liquidação, o Will Bank é excluído do SFN (Sistema Financeira Nacional) e deixa de operar. Além disso, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis.
💲 Já os clientes do banco digital devem entrar na fila de reembolso do
FGC. A instituição tinha cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo em setembro de 2025, último dado disponível.
O FGC garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, desde que respeitado o limite de R$ 1 milhão por cada período de quatro anos.
Estão garantidos pela cobertura da FGC, os recursos depositados em
contas corrente e poupança e também
investimentos como
CDBs e
RDBs (Certificados e Recibos de Depósito Bancário).
O BC ressaltou, por sua vez, que esta era uma instituição de pequeno porte, que detinha apenas 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.