XP dobra taxa para fundo de ouro e analistas sugerem resgate

ETF GOLD11 passa a cobrar 1,05% ao ano e casa de análise Indê deixa de recomendar ativo.

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Publicado em 15/03/2026 às 11:43h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 15/03/2026 às 11:43h Atualizado 3 minutos atrás por Wesley Santana
Ouro é um dos investimentos de maior retorno nos últimos anos (Imagem: Shutterstuck)
Ouro é um dos investimentos de maior retorno nos últimos anos (Imagem: Shutterstuck)

Uma decisão da XP Asset está causando reclamações dos investidores da corretora de investimentos. Na semana passada, houve uma elevação na taxa de administração que recai sobre os fundos de investimentos que negociam ouro na bolsa de valores.

A mudança se refere ao Trend ETF LBMA Ouro (GOLD11), que replica o movimento do metal precioso no mercado internacional. A porcentagem anterior era de 0,50% ao ano, mas foi reajustada para 1,05% ao ano, ou seja, mais que o dobro.

A taxa de administração é a fatia cobrada pela gestora para manter a custódia dos investidores e fazer os rebalanceamentos previstos no contrato. No geral, esse valor não passa de 1%, embora as gestoras possam decidir qual será o valor fixado.

Nas redes sociais, muitos investidores começaram a reclamar da mudança, que pode diminuir os saldos na hora do resgate. Por isso, houve analistas que até recomendaram o resgate do investimento depois da mudança.

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Para eles, embora os investidores estejam surfando em bons desempenhos neste momento, a situação pode ficar diferente em outros momentos da economia global. Caso o preço do ouro caia, a taxa de administração pode ser um fator de maior prejuízo à carteira de investimentos.

“Em tempos ruins para o ouro, de queda ou até pouco ganho, o efeito do imposto é menor, já que é cobrado sobre a rentabilidade. E exatamente nesses momentos, em que você já está tendo prejuízo, a taxa mais alta cobrada pela XP vai ser um grande peso”, diz Luciana Seabra, diretora da Indê, casa de análise que passou a recomendar o resgate do investimento.

Por sua vez, a XP argumenta que o aumento da taxa pode significar uma vantagem tributária que compensa para o cotista. Além disso, declarou à imprensa que a nova porcentagem foi definida em uma assembleia de cotistas realizada em julho de 2025.

"A decisão de concentrar a alocação da carteira em ETFs gerou um benefício adicional aos cotistas ao eliminar a incidência de come-cotas na estrutura do fundo", diz a corretora. "Nos últimos cinco anos, entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o fundo Trend Ouro FIM apresentou rentabilidade acumulada de 285%, superando estratégias comparáveis no mercado", acrescentou.