Trump anuncia tarifas de até 49% para grupo de países; Brasil fica com 10%

A decisão, apelidada de "Dia da Libertação", foi divulgada nesta quarta-feira (2), e inclui uma sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros.

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Publicado em 02/04/2025 às 18:09h - Atualizado 11 horas atrás Publicado em 02/04/2025 às 18:09h Atualizado 11 horas atrás por Matheus Silva
As tarifas impostas variam conforme o país, atingindo um pico de 49% (Imagem: Shutterstock)

🚨 O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou uma nova rodada de tarifas comerciais que impactam diretamente países com barreiras consideradas desproporcionais pelo país norte-americano.

A decisão, apelidada de "Dia da Libertação" por Trump, foi divulgada nesta quarta-feira (2), e inclui uma sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros.

A estratégia é parte de um esforço mais amplo para equalizar tarifas e barreiras comerciais que Washington considera injustas.

De acordo com o presidente americano, a indústria dos EUA vem sofrendo há décadas com práticas comerciais desleais e manipulação de moeda por diversos países.

Em seu discurso, Trump afirmou: “Hoje é o Dia da Libertação. Nossos contribuintes foram enganados por mais de 50 anos, mas isso não vai mais acontecer”.

As tarifas impostas variam conforme o país, atingindo um pico de 49% no caso do Camboja, que aplica tarifas de 97% sobre produtos americanos.

Outros países afetados incluem China (34%), Índia (26%), África do Sul (30%) e União Europeia (20%).

O Brasil foi um dos menos impactados pela nova política tarifária, com uma alíquota de 10%, equiparada a outros países como Reino Unido, Chile e Austrália.

Apesar da alíquota mais baixa, especialistas projetam que a medida possa gerar um impacto significativo nas exportações brasileiras, na ordem de US$ 2 bilhões, segundo simulações realizadas pelo Bradesco (BBDC4).

O que são as tarifas recíprocas?

O conceito de tarifas recíprocas consiste na aplicação de encargos equivalentes sobre produtos importados, espelhando as taxas impostas por outros países aos produtos americanos.

Trump argumenta que essa política não se limita a igualar tarifas diretas, mas também visa combater barreiras não tarifárias e superávits comerciais considerados excessivos.

Porém, críticos alertam que a abordagem dos Estados Unidos ignora nuances técnicas do comércio internacional e compromissos estabelecidos em tratados multilaterais, o que pode acabar gerando atritos diplomáticos.

➡️ Leia mais: Senado aprova projeto de resposta a tarifaço de Trump

Abaixo, seguem as tarifas impostas por diferentes países aos Estados Unidos e as respectivas tarifas recíprocas aplicadas pelo governo americano:

  • Reino Unido: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Brasil: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Cingapura: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Chile: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Austrália: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Turquia: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Colômbia: 10% - Tarifa recíproca: 10%
  • Israel: 33% - Tarifa recíproca: 17%
  • Filipinas: 34% - Tarifa recíproca: 17%
  • União Europeia: 39% - Tarifa recíproca: 20%
  • Japão: 46% - Tarifa recíproca: 24%
  • Malásia: 47% - Tarifa recíproca: 24%
  • Coreia do Sul: 50% - Tarifa recíproca: 25%
  • Índia: 52% - Tarifa recíproca: 26%
  • Paquistão: 58% - Tarifa recíproca: 29%
  • África do Sul: 60% - Tarifa recíproca: 30%
  • Suíça: 61% - Tarifa recíproca: 31%
  • Taiwan: 64% - Tarifa recíproca: 32%
  • Indonésia: 64% - Tarifa recíproca: 32%
  • China: 67% - Tarifa recíproca: 34%
  • Tailândia: 72% - Tarifa recíproca: 36%
  • Bangladesh: 74% - Tarifa recíproca: 37%
  • Sri Lanka: 88% - Tarifa recíproca: 44%
  • Vietnã: 90% - Tarifa recíproca: 46%
  • Camboja: 97% - Tarifa recíproca: 49%

A recente implementação de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, está provocando um intenso debate e reações imediatas em várias economias ao redor do mundo.

Nesta quarta-feira (2), também entraram em vigor tarifas de 25% sobre carros importados pelos EUA e sobre exportações que não se enquadrem no USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá).

A medida, que visa proteger a indústria norte-americana e equilibrar déficits comerciais, gera incertezas significativas entre economias emergentes e desenvolvidas, especialmente aquelas que dependem de exportações para os Estados Unidos.

O impacto no mercado financeiro tem sido perceptível nas últimas semanas, com oscilações em bolsas de valores e cautela por parte de investidores globais.

As incertezas sobre o alcance e os efeitos dessas tarifas se refletem em avaliações econômicas que consideram possíveis cenários de desaceleração no comércio internacional.

Brasil reage com projeto de retaliação

Em resposta às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, o Senado Federal do Brasil aprovou em regime de urgência um projeto que autoriza o governo brasileiro a retaliar países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais aos produtos nacionais.

A proposta, que recebeu amplo apoio tanto do Congresso quanto do Executivo, surge após o próprio Donald Trump citar o Brasil como um dos países que poderiam ser alvo de novas tarifas.

O projeto brasileiro visa criar um arcabouço legal que permita ao país agir de maneira proporcional às barreiras impostas por outras nações.