Só uma Bolsa subiu nos 10 primeiros dias de guerra no Irã; veja ranking

O Ibovespa recuou cerca de 5%, saindo-se melhor que Bolsas como a da Inglaterra e do Japão.

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Publicado em 10/03/2026 às 13:48h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 10/03/2026 às 13:48h Atualizado 2 minutos atrás por Marina Barbosa
O Nasdaq conseguiu uma leve alta de 0,12% no período (Imagem: Shuttertsock)
O Nasdaq conseguiu uma leve alta de 0,12% no período (Imagem: Shuttertsock)
As Bolsas de Valores mudaram de rumo e passaram a subir na tarde dessa segunda-feira (9), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a guerra poderia estar chegando ao fim no Irã.
Ainda assim, o saldo dos dez primeiros dias de confronto foi negativo para a grande maioria dos índices acionários globais.
⚠️ De acordo com um levantamento da Elos Ayta Consultoria, apenas o Nasdaq Composite ficou no terreno positivo nesse período. E o ganho foi de apenas 0,12%. 
Já as outras 20 Bolsas analisadas pela consultoria amargaram perdas de até 15,5% entre o início do conflito e o primeiro sinal de possível recrudescimento.
As maiores perdas foram registradas na Zona do Euro e no Japão. Já os menores tombos foram de dois vizinhos brasileiros: Argentina e Colômbia.
As bolsas americanas (para além do Nasdaq) e as bolsas chinesas também mostraram resiliência e ficaram do lado daquelas que caíram, mas se saíram melhores do que a média.
📊 Já o Ibovespa ficou praticamente no meio do caminho, com um recuo de 4,17% em reais e uma contração de 5,35% em dólares.
"O Brasil ocupa a 8ª posição entre os melhores desempenhos da amostra, o que indica uma correção relevante, mas ainda distante das quedas mais severas observadas em outros mercados", observou o CEO da Elos Ayta Consultoria, Einar Rivero.

Compare o desempenho de 21 Bolsas nos 10 primeiros dias da guerra no Irã, em dólares:

  • Nasdaq (EUA): 0,12%;
  • S&P Merval (Argentina): -1,03%;
  • Msci Colcap (Colômbia): -1,16%;
  • S&P 500 (EUA): -1,20%;
  • Dow Jones (EUA): -2,53%;
  • Ftse China 50 (China): -4,08%;
  • Hang Seng Index (China): -5,28%;
  • Ibovespa (Brasil): -5,35%;
  • AEX (Holanda): -5,40%;
  • PSI (Portugal): -5,43%;
  • FTSE 100 (Inglaterra) -6,17%;:
  • BEL20 (Bélgica): -6,44%;
  • FTSMIN (Itália): -7,83%;
  • DAX (Alemanha): -8,65%;
  • IBEX (Espanha): -8,87%;
  • CAC 40 (França): -9,12%;
  • IPyC (México): -9,22%;
  • Ipsa (Chile): -10,43%;
  • Sp/Bvl General (Peru): -10,69%;
  • Nikkei 225 (Japão): -11,35%;
  • Euro Stoxx (Zona do Euro): -15,50%.

O que explica a alta do Nasdaq?

Para Einar Rivero, "os números ilustram um padrão típico de momentos de tensão geopolítica: a correção atinge praticamente todas as regiões, ainda que em intensidades diferentes".
"Historicamente, episódios de risco geopolítico produzem três reações quase automáticas nos mercados: Reprecificação rápida de ativos de risco, fuga para ativos considerados mais seguros e maior dispersão de desempenho entre setores e regiões. O ranking de março reflete exatamente esse padrão", afirmou.
Segundo ele, a diferença entre o desempenho das Bolsas nesses momentos pode refletir fatores distintos, como a composição setorial, a dinâmica cambial e até mesmo o posicionamento prévio dos investidores internacionais nesses mercados.
Já o fato de o Nasdaq exibir o único desempenho positivo desse período não parece coincidência para Einar Rivero. Afinal, "o índice tem forte concentração em empresas de tecnologia e inovação, setores que frequentemente apresentam maior capacidade de adaptação em ambientes de choque externo". 
"Além disso, companhias com receitas globais e margens elevadas costumam oferecer alguma proteção relativa em momentos de incerteza. Não é exatamente um movimento de euforia. É, antes, um sinal de seletividade", afirmou o CEO da Elos Ayta Consultoria.

Reviravolta na guerra

A maior parte das Bolsas mundiais opera em alta nesta terça-feira (10), ainda impulsionadas pela declaração de Donald Trump de que a guerra no Irã pode estar chegando ao fim.
Contudo, o presidente dos Estados Unidos e a Guarda Revolucionária do Irã voltaram a trocar ameaças nas últimas horas, o que pode colocar em risco essa tentativa de recuperação dos mercados.
A Guarda Revolucionária do Irã disse que não vai permitir a exportação do petróleo produzido no Oriente Médio enquanto continuar sendo alvo de ataques dos Estados Unidos e do Irã.
Diante disso, Trump ameaçou lançar um ataque "vinte vezes mais forte" caso o Irã bloqueie o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz.
"Além disso, eliminaremos alvos facilmente destruíveis, o que tornará virtualmente impossível que o Irã volte a se reconstruir como nação", acrescentou Trump, nas redes sociais.