Revisão de leilão faz ações da Eneva (ENEV3) dispararem quase 8% na B3

Novo preço-teto reduz temor do mercado sobre projetos de energia.

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Publicado em 13/02/2026 às 13:06h - Atualizado Agora Publicado em 13/02/2026 às 13:06h Atualizado Agora por Wesley Santana
Eneva é uma das companhias que distribuem energia no Brasil (Imagem: Shutterstock)
Eneva é uma das companhias que distribuem energia no Brasil (Imagem: Shutterstock)

No começo desta semana, a Eneva (ENEV3) passou por maus bocados na bolsa de valores. Apenas no pregão da última segunda, as ações da companhia caíram quase 20% na B3.

No entanto, nesta sexta, a empresa viu seus ativos se recuperando, com aceleração de 8%. Por volta das 11h, os papéiseram negociados aos R$ 21,50, conforme dados da bolsa.

O motivo para essa valorização está na revisão feita pelo governo sobre o teto dos preços para um leilão de capacidade que será realizado nas próximas semanas. O Executivo destacou que a atualização foi realizada depois de “avaliações técnicas criteriosas”, fruto de escutas e contribuições do setor.

Desta forma, ficou definido um novo preço-teto de R$ 2,9 milhões/MW.ano para novos projetos a gás, quase o dobro do definido anteriormente. Já para novas usinas hidrelétricas, o preço foi mantido em R$ 1,4 milhão/MW.ano.

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No caso dos projetos já existentes, o limite subiu para R$ 2,25 milhões/MW.ano para usinas de gás e carvão. Houve, portanto, uma elevação superior a 100% em relação ao valor fixado antes.

Com os valores propostos anteriormente, parte do mercado via um risco sistemático ao setor de energia. Relatórios de diversos bancos destacaram o valor bem abaixo do necessário para a atuação de companhias como a Eneva.

“Os números vieram muito abaixo do que consideramos o preço mínimo necessário para remunerar adequadamente um novo projeto (termelétrico)”, escreveu o Citi. “Os números parecem muito estranhos”, continuou a XP.

Parte deles até chegaram a ventilar um possível corte no preço-alvo da companhia, que era bem vista pelos analistas. No caso do Citi, o banco norte-americano disse que poderia reduzir a expectativa de R$ 25 para R$ 20, caso os valores fossem confirmados.

Horas depois da divulgação da última segunda, porém, o ministro de Minas e Energia disse que poderia corrigir os preços, abrindo espaço para ampliar o debate sobre os preços.

“As atualizações no Leilão de Reserva de Capacidade têm como principal objetivo garantir segurança energética ao país, assegurar competição efetiva no leilão e preservar a previsibilidade regulatória, mantendo a responsabilidade com o consumidor. Estamos, portanto, agindo com responsabilidade técnica, prudência regulatória e compromisso com o interesse público”, disse o ministro em nota.