Recessão nos EUA pode ser inevitável, diz Moody’s sobre preço do petróleo

Prestigiada agência de risco alerta para impacto da crise no Estreito de Ormuz.

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Publicado em 17/03/2026 às 11:58h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 17/03/2026 às 11:58h Atualizado 3 minutos atrás por Wesley Santana
Estados Unidos é a maior economia do mundo, com trilhões em PIB anual (Imagem: Shutterstuck)
Estados Unidos é a maior economia do mundo, com trilhões em PIB anual (Imagem: Shutterstuck)

O cenário já não era tão animador para a economia dos Estados Unidos, mas só vem piorando nas últimas semanas. Com a escalda da guerra no Irã, o preço do petróleo disparou ao redor do mundo, e agora coloca em xeque o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de vários países

Uma publicação feita nesta terça-feira (17) pelo economista-chefe Mark Zandi, da agência de risco Moody 's, mostra que será difícil que os EUA não passem por uma recessão em 2026. A afirmação sustenta que os preços do óleo podem impactar a inflação, o emprego e quase todos os demais indicadores econômicos. 

“Não é exagero esperar que a probabilidade de recessão ultrapasse o patamar de 50% em meio ao conflito e à alta dos preços do petróleo”, afirmou Zandi. Antes do conflito ter início, a agência já apontava uma probabilidade “alarmantemente alta” de recessão na maior economia do mundo.

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Em sua análise, o economista retoma recessões anteriores e traça um paralelo com o cenário atual. Em todos eles, a recessão veio decorrente de dois trimestres seguidos de baixa no PIB e aumento expressivo no preço do petróleo, sendo a pandemia de covid-19 a única exceção desde a Segunda Guerra Mundial. 

“Apesar das crescentes evidências, os economistas estão relutando em pronunciar a palavra ‘recessão’. Muitos tinham certeza de que uma crise era iminente após o aperto monetário do Fed há alguns anos, vocalmente disseram isso, mas estavam errados. No entanto, se o preço do petróleo permanecer elevado por muito tempo (semanas e não meses), uma recessão será difícil de evitar”, concluiu. 

O aumento expressivo no preço do barril do petróleo é decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio. A decisão foi tomada pelo Irã, como uma resposta aos ataques iniciados pelos EUA e Israel ao seu território, que matou o aiatolá Ali Khamenei há duas semanas.

No último domingo, o governo iraniano afirmou que a via marítima estava aberta para os demais países, exceto para embarcações norte-americanas e israelitas. Mesmo após a decisão, o petróleo continuou operando acima dos US$ 100 por barril Brent, mostrando a apreensão dos países em mandar suas embarcações passarem pela região.

É importante destacar que, no ano passado, a mesma agência decidiu derrubar a nota de crédito dos EUA de “AAA” para “AA1”. Isso tirou o país de um grupo bastante seleto, citando o aumento da dívida pública e dos juros.