Raízen (RAIZ4) amarga prejuízo seis vezes maior no 3º tri da safra 25/26

Empresa diz que resultado foi pressionado por efeitos pontuais, mas mercado mantém cautela.

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Publicado em 13/02/2026 às 08:41h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 13/02/2026 às 08:41h Atualizado 3 minutos atrás por Marina Barbosa
Raízen busca forma de reduzir o endividamento (Imagem: Shutterstock)
Raízen busca forma de reduzir o endividamento (Imagem: Shutterstock)
A Raízen (RAIZ4) apresentou seus resultados nessa quinta-feira (12), em meio a dúvidas crescentes sobre a sua situação financeira.
⚠️ A produtora de açúcar e etanol reportou um prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026. O rombo cresceu seis vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foi de R$ 2,57 bilhões.
Com isso, a companhia passou a acumular um prejuízo de R$ 19,8 bilhões nesta safra e acabou ficando com um patrimônio líquido negativo de R$ 1,1 bilhão.

Raízen tenta conter preocupações

Responsável pela auditoria do balanço da Raízen, a EY avaliou que esses números "indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da Companhia".
🗣️ A Raízen, no entanto, tentou afastar os temores de uma descontinuidade operacional e reestruturação de dívida.
Em uma mensagem anexada ao balanço, a administração garantiu que continua avançando no lado operacional e creditou o prejuízo do trimestre a efeitos pontuais.
Além disso, afirmou que segue em busca de uma forma de reestruturar suas contas e garantiu que os seus controladores estão engajados nesse processo, tendo inclusive se comprometido em "contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e de maneira definitiva". 
A companhia contratou assessores financeiros e legais nesta semana para avaliar "alternativas estruturais que mantenham a sua viabilidade e competitividade no longo prazo".
Os assessores foram contratados depois que investidores fugiram dos títulos e ações da empresa, mas acabou elevando o temor de uma reestruturação. Diante disso, a empresa perdeu o grau de investimento nas três maiores agências de risco do mundo.

O que pesou no balanço?

No balanço, a Raízen diz que os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026 foram pressionados por efeitos não recorrentes.
💲 A empresa precisou aplicar determinados procedimentos contábeis que resultaram em um impairment de R$ 11,1 bilhões devido à deterioração das condições de crédito.
Contudo, garantiu que essas "provisões não possuem efeito caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital".
A empresa calcula que o prejuízo do trimestre teria sido de R$ 4,5 bilhões e não de R$ 15,65 bilhões sem esse impactos não recorrentes.
Ainda assim, o rombo teria quase dobrado em relação aos trimestres anteriores, pressionado por um menor resultado operacional, venda de ativos e maiores níveis de depreciação.

Ebitda é alvo de ajustes

📊 O Ebitda ajustado da Raízen recuou apenas 3,3% em relação ao mesmo período da safra anterior, marcando R$ 3,15 bilhões
O dado poderia dar peso ao discurso da empresa de que o operacional segue avançando, mas também foi visto com certa desconfiança pelo mercado.
É que, sem os ajustes, o indicador foi negativo em R$ 4,4 bilhões, contrastando com o resultado positivo de R$ 2,5 bilhões de um ano antes.
Segundo a empresa, a redução dos volumes comercializados de etanol, dos preços de açúcar e dos ganhos associados a contratos de energia pesou sobre o Ebitda.
Contudo, esses efeitos foram parcialmente compensados por um melhor desempenho de volumes e margens em distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina, além de ganhos de eficiência decorrentes da revisão da estrutura organizacional e da disciplina na gestão de despesas. 
"Os resultados apresentados neste trimestre e ao longo do ano evidenciam que, do ponto de vista operacional, conseguimos demonstrar importantes avanços, mesmo em um ambiente macroeconômico adverso, com impactos negativos sobre a produtividade agrícola e, mais recentemente, sobre os preços de açúcar e etanol", disse a admnistração.

Dívida volta a crescer

Já a receita líquida diminuiu 9,7% no trimestre, para R$ 60,39 bilhões. E o endividamento seguiu em alta.
A Raízen tinha uma dívida líquida de R$ 55,3 bilhões ao final do terceiro trimestre da safra 2025/2026, o que representa uma alavancagem de 5,3x. 
📈 O endividamento subiu 43,4% em relação ao mesmo período da safra anterior e 3,5% na comparação com o trimestre anterior. 
Segundo a empresa, o aumento se deve à substituição de linhas de capital de giro de curto prazo por instrumentos de dívida de longo prazo com menor custo, além do aumento das despesas financeiras e do consumo de capital de giro associado aos estoques de açúcar e etanol.
A Raízen destacou ainda que deve receber R$ 1,5 bilhão nos próximos meses devido a desinvestimentos já anunciados.

O que diz o mercado

Na avaliação da XP, o balanço da Raízen pode frustrar o mercado porque apresenta "um número esmagador de ajustes que obscurecem os resultados", não traz atualizações sobre o plano de reestruturação da empresa e, por isso, torna difícil a projeção dos seus próximos resultados.
A XP reconheceu, por outro lado, que, do ponto de vista operacional, a empresa "continua entregando reduções de custos encorajadoras e melhorias de rentabilidade, particularmente em seus negócios de distribuição de combustíveis".