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PicPay (PICS) colocou fim a um jejum de quatro anos sem
IPOs de empresas brasileiras nos Estados Unidos.
A fintech dos irmãos Batista levantou US$ 500 milhões, com as ações precificadas no topo da faixa indicativa, entre US$ 16 e US$ 19.
Mas, até aqui, o mercado não comprou a história. Desde a listagem, os papéis acumulam queda de 17%, frustrando parte dos investidores que apostavam em uma rápida reprecificação após a estreia.
O desempenho abaixo do esperado foi tão relevante que acabou influenciando o clima para outras ofertas.
O Agibank, por exemplo, reduziu o tamanho de seu IPO e cortou a faixa indicativa de preço, movimento que o mercado associou, em parte, à recepção morna do PicPay.
A ação estava cara? Nem tanto no papel
Segundo gestores ouvidos pelo mercado, o valuation do IPO não parecia exagerado, desde que o investidor acreditasse no plano de crescimento da companhia.
Pelos múltiplos implícitos, o PicPay negociava a cerca de 20 vezes o lucro projetado para 2025, caminhando para algo próximo de 12 vezes em 2026 e 7 vezes em 2027. Para uma fintech com discurso de forte expansão, os números não soavam abusivos.
O problema não estava no preço isoladamente, mas na confiança na trajetória. A tese dependia de uma aceleração relevante da carteira de crédito, motor central da expansão de receitas e lucros.
Para sustentar os múltiplos projetados, o PicPay precisa crescer no crédito com consistência e qualidade. Isso significa expandir carteira sem deteriorar a inadimplência, desafio clássico de bancos digitais em fase de crescimento.
A equação mostra que seria necessário acelerar demais pode pressionar provisões e margens; crescer devagar pode frustrar as expectativas embutidas no valuation.
Esse risco de execução pesa no radar dos investidores, especialmente em um ambiente global ainda seletivo para empresas financeiras com perfil de crescimento.
Growth demais para o momento atual?
Outro ponto relevante está no perfil dos investidores que participaram da oferta. Parte significativa foi atraída pela narrativa de growth, como crescimento acelerado, monetização da base e expansão de produtos.
O discurso funcionou bem no roadshow. Mas, após a listagem, o mercado global de tecnologia e fintech passou por um período de maior cautela, com investidores priorizando previsibilidade e geração de caixa robusta.
A expectativa de uma reprecificação rápida, baseada em múltiplos de pares internacionais, simplesmente não se materializou. Sem o “pop” pós-IPO, parte do capital mais tático saiu do papel, pressionando as cotações.
Estratégia segue de pé
Os recursos captados serão destinados a capital de giro, despesas operacionais, exigências regulatórias e à aquisição da Kovr Seguradora, ampliando a estratégia de diversificação de receitas.
Durante a cerimônia de listagem, o CEO Eduardo Chedid reforçou o posicionamento do PicPay como banco digital completo, destacando escala, crescimento e rentabilidade.
O que o mercado quer agora?
Depois da estreia e da correção inicial, o foco sai da narrativa e volta para a execução. O investidor quer ver:
- Crescimento sustentável da carteira de crédito
- Controle da inadimplência
- Expansão consistente da margem
- Evolução clara da rentabilidade
Sem esses sinais concretos nos próximos trimestres, a ação pode continuar dependente do humor global para empresas de tecnologia financeira.
📊 O IPO quebrou o jejum. Agora, o desafio é provar que o crescimento projetado é mais do que uma promessa, é uma trajetória possível.