As novas tarifas anunciadas por Donald Trump recolocaram o dólar no centro das atenções do mercado global. Após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas anteriores, o presidente reagiu com a imposição de uma
nova tarifa global, reacendendo incertezas sobre comércio internacional, inflação e juros.
Para Douglas Dias Rodrigues, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos, o movimento tende a provocar instabilidade cambial. “Na minha avaliação, as novas tarifas anunciadas por Donald Trump tendem a gerar volatilidade com viés de alta para o dólar, sobretudo no médio prazo”, afirma.
Segundo ele, mesmo com um arrefecimento inicial após a decisão judicial, a nova rodada de tarifas muda novamente o cenário. “A reação imediata do presidente, com a imposição de uma nova tarifa global de 15%, recoloca o mercado em um ambiente de incerteza”, diz.
Em momentos como esse, acrescenta, a moeda americana costuma se fortalecer. “Historicamente, esse tipo de cenário fortalece o dólar, já que investidores buscam proteção em ativos considerados mais seguros em momentos de maior risco.”
Pressão inflacionária e política monetária
Rodrigues também destaca o possível efeito inflacionário da medida. Tarifas mais altas tendem a pressionar os preços internos nos Estados Unidos, o que pode influenciar a política monetária. Juros elevados por mais tempo aumentariam a atratividade relativa do dólar frente a outras moedas.
Leandro Aires, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF – Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças, segue linha semelhante, mas ressalta nuances. “Quando o Trump aumenta essas novas tarifas, ele pode não só elevar o custo de vida do americano na compra de produtos importados, como também gerar mais inflação nos EUA”, explica.
Caso o avanço dos preços se confirme, o efeito pode se estender à política de juros. “Se houver mais inflação, os juros podem cair menos (ou até permanecer mais altos por mais tempo), o que torna os títulos americanos mais competitivos e pode evitar a migração de dólares para outros países”, afirma.
Valorização ou perda de força global?
Nesse contexto, Aires avalia que a moeda tende a ganhar força: “Assim, acredito que o dólar pode se valorizar no mundo todo. Na prática, Trump acabaria ‘exportando’ mais juros e mais inflação.”
Ainda assim, o cenário não é unidirecional. “Por outro lado, se os investidores preferirem trocar os EUA por outros mercados, como tem acontecido desde o ano passado, o dólar pode se desvalorizar globalmente.” Ele lembra que esse movimento já vem sendo observado: “Aliás, é isso que tem ocorrido, deixando o dólar no menor nível dos últimos dois anos.”
Entre pressões inflacionárias, decisões do Federal Reserve e o humor dos investidores globais, o comportamento da moeda americana seguirá condicionado à combinação entre política comercial, juros e percepção de risco.