Alta nas escolas e ônibus puxam inflação para 0,7% em fevereiro; anual fica em 3,8%

Reajustes nas mensalidades escolares e nos transportes pesaram no bolso dos brasileiros; CE e SP tiveram as maiores altas.

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Publicado em 12/03/2026 às 11:13h - Atualizado 33 minutos atrás Publicado em 12/03/2026 às 11:13h Atualizado 33 minutos atrás por Wesley Santana
Educação e Transportes foram as categorias mais pesadas de fevereiro (Imagem: Shutterstuck)
Educação e Transportes foram as categorias mais pesadas de fevereiro (Imagem: Shutterstuck)

Nesta segunda-feira (12), o IBGE divulgou os números da inflação oficial de fevereiro de 2026. Segundo o instituto, os preços avançaram 0,70% ao longo do mês, acima do projetado pelos analistas, que era de 0,65%.

Apesar desse movimento, o resultado anualizado ficou um pouco acima do centro da meta, mas ainda dentro do teto definido pelo Banco Central, que é de até 4,5% ao ano. Incluindo fevereiro, a inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 3,81%, ainda de acordo com o IBGE.

O levantamento detalha que os grupos que mais puxaram o resultado para cima foram Educação e Transporte. Fevereiro é justamente o mês em que escolas e universidades reajustam as mensalidades, o que impactou diretamente o movimento inflacionário, sendo responsável por 44% do índice.

“Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31%, houve uma pressão do grupo Habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu em 2026”, explicou Fernando Gonçalves. “Ainda na comparação com o ano anterior, a Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% em fevereiro de 2025”, acrescentou.

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Já em Transporte, houve aumento nas passagens aéreas, que viram seus preços crescerem até 11,4% no intervalo de 28 dias. Também foram identificados novos preços nos seguros de veículos, além de reajustes no transporte urbano de várias cidades do país.

Entre as menores variações, chama a atenção o grupo que inclui Alimentação e Bebidas, que subiu 0,26%, com destaque para alimentação domiciliar. O açaí (+25%), feijão carioca (+11,7%) e ovo de galinha (+4,5%) tiveram as maiores altas do mês.

“O grupo dos alimentos variou 0,26%, em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços desse subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. Além desses produtos, o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses, dada a boa oferta do cereal”, destacou Gonçalves.

Na divisão por cidades, Fortaleza (Ceará) foi onde os preços mais subiram, com alta de 0,98% no intervalo mensal. Na outra ponta, em Rio Branco (Acre) quase não houve mudanças, já que a cidade terminou fevereiro com variação de 0,07%.

Em São Paulo, o resultado chegou a 0,97%, enquanto no Rio de Janeiro ficou em 0,74%. Os números ficaram abaixo do IPCA-15, divulgado na metade do mês passado, que trazia estimativas prévias.