Enquanto o ouro atinge recordes históricos, os analistas projetam altas ainda maiores nos próximos meses. É o caso do Goldman Sachs, que elevou o preço-alvo para o metal precioso nesta quinta-feira (22).
Em relatório publicado pelo banco, os profissionais destacam que o ouro pode superar a marca de US$ 5,4 mil por onça-troy até o fim de 2025. Com isso, o potencial upside é de 10,2% em relação ao patamar atual, que é de US$ 4,9 mil.
O time de research do GS destaca que o uso do ouro como hedge no mercado global tem feito com que seu valor cresça de forma exponencial nos últimos meses. Além disso, não há perspectiva de que os detentores do metal façam a venda de seus ativos neste ano, o que deve conter a liquidez do ativo no mercado.
“Esses riscos (por exemplo, a sustentabilidade fiscal) podem não se resolver completamente neste ano, o que implica que a previsão de preço do ouro no início de 2026 é um ponto de partida sustentável para nossa previsão”, avalia o Goldman Sachs. “Nossas conversas com clientes e diversos dados sugerem que esses fluxos se tornaram uma fonte incremental significativa de demanda”, complementa.
A instituição ainda projeta que os bancos centrais pelo mundo devam continuar incluindo o ouro na reserva de valor, com compras que podem totalizar até 60 toneladas no fim de 2026. O movimento deve se consolidar, sobretudo, nos países emergentes que estão fugindo da variação do dólar.
No ano passado, o preço do ouro aumentou 64% entre janeiro e dezembro, conforme dados dos monitores. Nesta primeira quinzena de 2026, a alta já se aproxima de 10%.
Há quem compare o movimento atual com o visto nos anos 1970, quando houve uma aceleração de 2.300% no preço do ativo no intervalo de 10 anos. Uma mistura de problemas econômicos, flutuação do petróleo e a inflação descontrolada formou a tempestade perfeita.
“Naquela época, as preocupações fiscais e a incerteza política levaram investidores privados a buscar uma reserva de valor fora do sistema”, disse Lina Thomas, estrategista de commodities da Goldman Sachs Research. “Se esses temores surgissem novamente, poderíamos ver a tendência global de diversificação se intensificar.”